Patterns - Waking Lines
70%Overall Score

Há algo de hipnótico neste álbum. Aliás, quando colocamos os phones para escutar este trabalho de arranque do quarteto de Manchester, damos por nós a descomprimir fundo. São 10 temas que se enquadram perfeitamente num cenário noturno de raiar de forças. Ou então, como alternativa, em manhãs ainda imberbes ao volante de um Mercedes 190D, cor de champanhe, acabado de sair de um posto de lavagem de automóveis. A água a escorrer em tiras musculadas no vidro da frente, tal e qual a harmonização profunda, descende em espiral destes Patterns. Mas no meio de alguma distorção de clareza – própria do shoegazing! – onde as guitarras e vozes se ensaiam com um arrastamento compacto e denso há, contudo, espaço para a contemplação celestial.

Curiosamente, no meio de todo este caos de porcelana elegante, o peso das distorções e vagueações torna-se esvoaçante como um pena. É curioso porque neste trabalho, a contenção e a timidez dão lugar a ínfimas probabilidades de leitura. Leituras, sublinhe-se, de uma pré-sonolência de alucinação. Para primeiro registo, e embora possamos encontrar afinidades com outras bandas já estabelecidas, como é o caso dos Animal Collective, Band of Horses ou Foals, o factor novidade é restabelecido pela honestidade do grupo britânico.

Ainda que façamos todo este rol de elogios, a verdade é que ao longo das músicas que compõem este Walking Lines, sentimos que há uma pretensão bem clara de se chegar a um resultado extraordinário ou quase apoteótico o que, convenhamos (!), não acontece. Isto não significa uma crítica árdua ou destrutiva, até porque sentimos nos Patterns uma sonoridade etérea, inteligente, bem construída, onde os quatro elementos da banda denotam uma extraordinária cultura musical.

Não forçosamente inerente ao estilo de música em questão (shoegazing ou shoegazer), tememos que o vindouro segundo trabalho repita a composição do primeiro. Ou seja, a percepção em escuta de um tema subdivido em 10. Não tão hipnótico, mas sim, entediante. Esperemos que não, mas sente-se aqui um balão de retorno para um próximo episódio.