Paws - Youth Culture Forever
80%Overall Score

Já não se sabe bem quando foi mas sabe-se, e há uma vaga memória, de uns velhos dos Marretas que diziam que o rock estava morto, que a morte de Kurt Cobain encerrava o capítulo da história dedicado às guitarras noisy e que as electrónicas tinham vindo para ficar. Tudo certo nesta última parte e viva as electrónicas que vieram e ficaram muito bem. Tudo o resto era total bullshit!!! Se dentro de vinte anos alguém se lembra dos Black Rebel Motorcycle Club, dos Cage The ElephantBand Of Skulls ou até do Jack White, só o tempo o dirá, mas lá que cada ano que vai passando nos vão chegando mais e mais discos com rock de elite, isso é um facto indiscutível! O calendário de 2014 ainda tem mais de 50% das páginas por escrever e os discos de EagullsCloud Nothings e Protomartyr, os regressos dos The Afghan Whigs, de Brody Dalle dos The Distillers e da inquestionável e inqualificável rainha das guitarras Courtney Love prometem encher as listas de Best Of 2014 de muitas guitarras.

Mas vamos ao que interessa aqui e o que interessa é a elegia das culturas teen que salvam o mundo no seu desespero e na sua constante procura da arte de bem errar e a este Youth Culture Forever que é uma verdadeira pièce de résistance de rock como deve ser feito. Youth Culture Forever é tão in your face como Brain Drain dos Ramones ou Trompe Le Monde dos Pixies. Pudesse o botão do play empurrar-te para viagens temporais e assim que os primeiros segundos de “Erreur Humaine”, a faixa que abre o segundo longa-duração dos Paws, entrassem tímpanos adentro, automaticamente teríamos 16 anos, o cabelo cairia para a frente dos olhos e acharíamos que não iríamos sobreviver aos anos de escola. Com “Tongues” e “An Honest Romance”, e o piscar de olhos aos Weezer de Perry Cuomo, e teríamos a certeza que não! Que bom que é ter tantas certezas sobre não ir morrer de velho. Ah pois, que as dores de amores na adolescência não permitem a ninguém chegar à faculdade, quanto mais a velho. “Someone New”, “Narcissist” e “Give Up” aceleram os sorrisos, o punk rock salta nas veias, o baixo – sempre o baixo – poderosíssimo, que faz latejar os parches de Misfits na mochila! Distorção e mais distorção e o baixo – sempre o baixo – ao longo de todo o disco a encher por completo as canções. “Let’s All Let Go” é canção de estádio ou de festival… enorme! “Great Bear” é a pureza do rock&roll, o riff de guitarra que corta a pele, a bateria tribal e o baixo – sempre o baixo. Mas gritando assim tão alto, como qualquer bom adolescente, é no quarto, sozinho, que as dores apertam. “Alone” e “YCF” e o puto ouve o Day Dream Nation dos Sonic Youth. Não é preciso dizer mais nada! Custa crescer, não é, puto?! O disco acaba com “War Cry”, título mais que adequado a um momento de longa divagação quase post-rock. Pesadíssima, arrastada, gritada… os feedbacks, o poema em desespero, o sufoco e o ar que teima em não entrar nos pulmões. Vem à memória os compatriotas Mogwai, reis e senhores das desconstruções post, e fica na memória como uma ferida que teima em sarar.

Se juventude deveria ser subcultura eterna, porque é que ninguém explicou ao mundo que esta é a melhor arte de bem errar?
Stay Young!!! Obrigado, Paws!!!