Sintetizadores sombrios, vocais ressonantes e uma melancolia tangível em cada sílaba são marcas registradas de “Saint”, novo single dos PEAKS. O trio formado por Molly Puckering (vocais), Maxwell Shirley (synths) e Pete Radshaw (bateria) no final de 2016 em Leeds, interior da Inglaterra, apresenta na nova faixa um escapismo sonoro que se mescla à doçura da sua vocalista enquanto esta assume o papel de alguém acostumando-se à ideia de um término inevitável, provocado por ela mesma.

Em “Saint”, a voz de Molly e os sintetizadores de Maxwell entrelaçam-se de forma similar ao trabalho de alguns dos seus contemporâneos, como os The xx ou até mesmo a norte-americana Banks. Confessional e cíclico, o novo tema vai-se projetando ao longo dos seus pouco mais de três minutos, até se encerrar com uma explosão de batidas e a repetição da bridge e do refrão:

How can I be a saint?
We both know it’s too late.

O som traz uma evolução quase natural em relação a “Pray To You”, música divulgada anteriormente pelo trio. Enquanto a sua sucessora parece festejar com desprezo um coração partido, “Saint” mergulha de cabeça num lago de vulnerabilidade emocional demonstrado tanto na letra quanto na produção instrumental. Nas palavras da própria compositora, a faixa aborda a “aceitação de que pode-se não ter sido a melhor pessoa em determinada situação, ou agido da melhor forma, e assumir a responsabilidade disso”. Pode ser que Molly e seus colegas tenham errado em algum momento do caminho, mas “Saint” é definitivamente um acerto.