Sempre que se fala de festivais de Outono é difícil não se ser remetido para o Misty Fest. Caracterizado pela sua programação que tenta explorar dimensões que passam ao lado dos restantes festivais, o evento que tem lugar em Novembro fará, em 2016, uma autêntica tournée pelo país, sendo Lisboa, Porto, Braga, Espinho, Coimbra, Figueira da Foz, Leiria, Torres Novas e Évora as cidades escolhidas para acolher o festival entre os dias 1 a 13 de Novembro. “Porque sabemos que quem ama a música que apresentamos, não vive só em Lisboa e Porto, mais uma vez as melhores salas do país são escolhidas tendo em conta a capacidade para dar a artistas e público as melhores condições para a apreciar ao vivo” anunciou a organização.

Será na cidade capital que o evento terá início com a actuação de Piers Faccini, o cantor, artista plástico e compositor que subirá ao palco do Cinema São Jorge no dia 1. Filho de pai italiano, de mãe inglesa e com vivências por França durante a juventude, o artista consegue transpor toda a rica oferta destes países para a sua música, cruzando e destruindo as fronteiras que os separavam através de uma viagem ao som da sua já carismática guitarra, capaz de mover o ouvinte numa dicotomia entre o íntimo e o emotivo.

É nessa mesmo dicotomia que todo o esplendor de Piers Damian Faccini reside: músicas de prender de uma ponta à outra, acompanhadas por um sons únicos e marcantes, que nos remetem para um local doce, seguro, amado. A voz poderosa do inglês deixa marcas sobre e com aquilo que conta – uma gentil guitarra acústica que lhe permite criar um folk súbtil. São temas que transbordam serenidade, que provocam sentimentos de felicidades… é como se no espaço de quatro a cinco minutos, toda a tristeza e infelicidade do mundo desaparecesse e nos remetesse para viagens, daquelas retratadas em livros ou documentários, tudo ao longo do seu vasto reportório de canções e de discos.

Consigo, traz seis álbuns aclamados pela crítica na bagagem, desde o seu primeiro, Leave No Trace, até ao mais recente Songs Of Time Lost, lançado em 2014. Em quase todos, é possível encontrar uma faceta, um lado étnico: cada disco parece ter sido assinado por um artista pertencente a um país longínquo. Deste modo, existe um factor surpresa em cada revelação da folk do artista, uma nova região por onde nos perdermos até a conhecermos ao mais ínfimo detalhe. Para além do novo disco, agendado para Outubro, prevê-se que o concerto de dia 1 de Novembro revele um ou outro tema do mais recente trabalho do artista: o íntimista EP Desert Songs lançado no início deste ano com Dawn Landes – título mais do que apropriado, visto que funde os desertos americanos e africanos traçando uma linha subtil e ténue entre o desert blues e o folk das americas com duas vozes únicas que se conciliam da melhor forma.

Enquanto as informações para o novo disco de Piers Faccini são escassas, fica aqui o EP de Desert Songs de modo a adoçar o apetite para Novembro. Já sobre o Misty Fest, a organização já fez saber que haverá nova confirmação na quarta-feira, dia 18.