Pillar Point - Pillar Point
70%Overall Score

Há algo de muito familiar neste primeiro disco de Pillar Point. Quero dizer, Scott Reitherman. O que quer dizer que este debut não é surpreendente. O que não quer dizer que seja, de alguma forma, desagradável. Mas dissipado o pó da normalidade, fica a Espuma dos Dias (sim, Vian, estou este momento a piscar-te o olho) de Hoje, ou seja, a pop veio para ficar.

Em apetecendo às gentes mais activistas, este disco até poderia ser uma bandeira, onde se leria: “Não queremos saber de arte, a Pop veio para ficar”, talvez escrito de uma forma mais sucinta (e muito menos polida), para poder caber numa t-shirt, um Fuck Art seria obrigatório. Convenhamos, essa era uma forma de tirar Pillar Point da obscuridade. Não há biografia na Wikipédia, tampouco no Allmusic.com e as singelas notinhas no “MTV Artists2 e no “DIY” obrigam, afinal, ao que interessa: oiçamos o disco e esqueçamos, por completo, as críticas alheias, à excepção desta, que também é singela, mas pronto.

“Diamond Mine” não é a melhor forma de começar um disco, ponto. Há um prolongado piscar de olho aos 80’s, mas com os pés bem assentes neste século quando se assume, sem quaisquer pruridos, que a electrónica é indissociável da pop. Mas neste primeiro tema, há algo que não joga. Há, por exemplo, um ou dois elementos propositadamente (quero acreditar) fora de tom que, por muito que gostemos de conceder a devida liberdade artística ao seu criador… não pega. Não acrescenta e só subtrai. Entretanto, e se conseguirmos não premir skip, “Eyeballs” é, na mesma linha, muito mais melódica. Que é um factor determinante para a pop de que falávamos. E de que se fala neste disco. Todo. Em “Cherry” já há uma bateria a tirar protagonismo aos sintetizadores, que entretanto entram para nos relembrar que os OMD tiveram grande, enorme e fulcral importância. Em “Black Hole” há mais bateria ainda, muita tarola e a repetição como fórmula (que nunca falha) de extenuar até que tudo se espraia num refrão que poderia muito bem ser um hino. É talvez o tema mais bem conseguido do disco. “Young hearts don’t lie, I must have been born in the night sky”, é a frase que fica em “Strangers In Paradise”. A letra vale quase tudo num tema musicalmente pobre. O tapping na guitarra e um ritmo mais Vampire Weekend que puramente afro, dá o mote a “Dreamin'”. Depois, os sintetizadores, com um baixo muito, mesmo muito bom, este é um hit. Se não, é injusto! O tema mais electro de todos, “Touch”, tem de ser visto sob uma perspectiva “vou dar um jantar de amigos e há espaço suficiente para um pezinho de dança na sala”, nada de pistas, mas um boa nota na classificação “dançável”, com claps e tudo. É com “Curious Of You” que entramos no imaginário de Pillar Point e Cindy Lauper faz, inequivocamente, parte da sua infância ou adolescência. “Echoes” é um final feliz, sem fogo de artifício ou ovações de pé, mas é tão remotamente Joy Division como foi estrategicamente deixada para o fim para deixar saudades no ouvinte.

Este debut de Pillar Point pode não ser o disco do ano. Mas vale bem a pena os pouco menos de 45 minutos que dura. Não se ganha o universo, mas não se perde nada!