Parece que o tempo tem estado até agora deveras fenomenal lá para os lados de Perth, porque desde que The Weather saiu em maio de 2017 para lançar as suas vigorosas e espaciais farpas electro-psych, que os Pond têm deixado correr lentamente os dias sob um sol abrasador e se têm entretido a desenhar as cornocópias e a caçar os unicórnios multicolores na sombra dos sete álbuns que criaram desde a sua estreia com Psychedelic Mango, de 2009.

Sendo que as férias já vão sobejamente longas – e que o digam também os milhares que esperam um novo disco dos Tame Impala -, Nick Allbrook e os restantes rapazes calçaram de novo os chinelos e lançaram-se no estúdio para uma produção que parece ter dado vazão a toda a veia criativa acumulada durante este tempo. Pegando nos alumínios cintilantes e prateados que se foram espraiando por todo o imaginário alicerçado em synths de The Weather, os australianos deram corpo a um novo tema alinhavado por uma tendência soul-espacial retro-futurista que respira poeiras cósmicas numa viagem intergaláctica em câmara lenta ao longo de oito minutos.

“Burn Out Star” é assim o primeiro tema dos Pond desde o lançamento do seu último longa-duração e desconhece-se, por enquanto, se será apenas um filho único, gerado como forma de projectar a veia experimental da banda em matéria concreta, ou se fará mais tarde parte de um novo disco que estarão a aprontar. Para esta viagem, é só apertar os cintos de segurança, clicar no botão de start, e ver as luzes intermitentes transportar a nave espacial dos Pond para a galáxia mais próxima. Chegarão certamente ainda antes de “Burnt Out Star” terminar. Ou polvilhar, com os seus mil fanicos, a crosta terrestre.