Longe vão os dias em que se usavam flores no cabelo e que Scott McKenzie cantava o amor livre e à cidade da Golden Gate Bridge e dos Black Rebel Motorcycle Club, Residents ou Dead Kennedys. Referências que servem só para vos baralhar porque as guitarras, pela primeira amostra, andam longe dos terraços sobre as luzes da cidade dos NRVS LVRS.

Um ano depois do casal Andrew Gomez e Bevin Lee se terem apercebido que tinham acidentalmente formado uma banda através de algumas composições que se destinavam essencialmente à exploração e experimentação de sons, The Golden West está escrito e pronto a ser editado em Março pela HZ Castle Records.

“City Lights”, o primeiro single, é um pequeno hino synth-pop onde a doçura melancólica dos Chvrches e Phantogram é diluída num trabalho milimétrico de detalhes a fazer lembrar uma Grimes a recriar e a reinventar canções dos Arcade Fire pela voz de Kim Wilde. “City Lights” não se contém de todo na sensibilidade frágil do synth-pop e carrega em si o tamanho de uma canção de estádio – se ainda se vivessem os anos 80 que tanto se respiram aqui – ou de um mega festival de verão na linguagem do presente futurista sem futuro, alvo primordial da destruição do ser cantada no discurso altamente politizado, ainda que poético dos NRVS LVRS. A banda canta San Francisco como espelho fiel das sociedades desintegradas e desiludidas um pouco por todo o mundo como explica Andrew.

What is happening in SF is happening in NYC, Detroit, and to my knowledge, just about every major city in the US & Europe, so the album’s themes of dread, uncertainty, and displacement feel pretty timely, if not universal

Os  NRVS LVRS vêem ocupar um lugar praticamente vago no mundo pop… o dedo na ferida, a música enquanto força política, a política enquanto ser vivo de gentes e não de servilismo ao monstro corporativo e a critica social à devastadora evolução tecnológica, ao esvaziamento das cidades no que toca a arte e cultura e, mais preocupante, de gentes que são escorraçadas para centros periféricos sobre-lotados de nada.

Porque a cidade é das GENTES… a  primeira grande canção do ano!

I listened to the demo of this song while staring at the city from my apartment building’s rooftop, and it’s the perfect soundtrack for when you’re pensively staring at the city lights and start feeling like an insignificant speck in the face of a tidal wave of change. It’s my own projection, but it does a great job of articulating my own fears about losing my little niche in this town. – Andrew Gomez, NRVS LVRS

 

 

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