1976. 40 anos antes do iminente álbum Nocturnal Koreans (disponível a 29 de Abril) foi quando os Wire começaram a tocar, no mesmo ano que Joy Division e alguns anos antes que os The Sound (mais parecidos com eles que com os Joy Division). Mas se não fosse o cante ‘new wave’ de Colin Newman, a nova “Nocturnal Koreans” pareceria uma típica ‘malha’ dos 90s – independentemente do rótulo estilístico associado ser post-punk, noise rock ou mesmo grunge -, possivelmente composta por Julianna Hatfield (fugindo aos óbvios Sonic Youth).

Em 40 anos, é secundário relatar que o novo single “Nocturnal Koreans” tem uma letra do baixista Graham Lewis sobre o stress de uma insónia, aparentemente forçada por ruidosos terceiros num hotel, durante a última digressão nos Estados Unidos. Importante é informar que “Nocturnal Koreans” é do próximo álbum, homónimo da mesma. Porque apesar de os Wire não beneficiarem de uma comovente e persuasiva narrativa de fatalidade como a de Ian Curtis (nem de uma voz com o emocionante carisma da dele), aquilo que viveram (fizeram) no longo prazo já lhes permitiu serem musicalmente mais grandiosos, porque mais influentes – aqueles alternativos acordes menores… -, sobretudo na América do Norte – evidentemente também nessa “Nocturnal Koreans”, que curiosamente termina com as notas do início.

Escutada por ouvidos suficientemente eruditos e atentos, a música de “Nocturnal Koreans” poderia ter sido composta pelos The Sound. Revela uma fluída cadência catchy e riffs que foram replicados em dezenas de canções dos posteriores Sonic Youth e em muitas canções iniciais dos R.E.M., tem um estilo de guitarras que foi recriado pelos New Order (também pela premeditada ‘fuga’ de Bernard Sumner aos seus próprios Joy Division) e o interlúdio instrumental facilmente podia ser dos muito posteriores Bloc Party. Além de terem influenciado, entre muitos outros, os The Cure (a partir do segundo álbum, segundo o próprio Robert Smith), os Guided By Voices, My Bloody Valentine e o início dos Manic Street Preachers (muito através do desaparecido Richey James).

Recapitulada sucintamente a resiliente relevância dos Wire, dancemos ao som dessa torrente musical como se estivéssemos no aconchego do Incógnito, enquanto aguardamos pelo 29 de Abril, para finalmente apreciarmos as onze canções de Nocturnal Koreans!