Como bem escreveu o Popload, nunca foi uma fase tão boa para escrever sobre indie nacional. É legal ver artistas que a gente acompanha crescendo, e mais do que isso, encontrando um público cada vez mais interessado em cantar em português e jogar os cachos pro alto. Há dois anos nesse ambiente, o Coala Festival começa a colher os louros do amadurecimento da cena. Na edição de 2016, o evento esgotou ingressos e reuniu 10 mil pessoas no Memorial da América Latina. 

Pensando além das questões habituais de preço e organização, o Coala desse ano acertou em diversos pontos. Conseguiu manter a coerência no line-up, com artistas que estão em alta e tiveram bons trabalhos recém-lançados, como Cícero, Céu e Karol Conka. Chegar no festival e ver que todo mundo cantava em uníssono as letras de “A Praia” e “Tropix”, álbuns recentes, mostrou que a galera começou acompanhar a cena no ritmo que ela cresce.

Sobre logística: o luxo de voltar de metrô, sem caos no trânsito, faz muita diferença. Além da escolha do Memorial como casa. Quer lugar mais emblemático? Projeto cultural de Darcy Ribeiro, desenhado por Oscar Niemeyer, o Memorial da América Latina é um espaço de integração político e cultural que fortalece a valorização da cultura latino-americana há mais de 25 anos.

Outro ponto pro Coala foi intercalar bandas com produtores de projetos musicais do eixo Sudeste, como Daniel Tamenpi (Só Pedrada Musical), Tutu Moraes (Santo Forte), Meraki (Sonido Trópico) e Samuca (Coletivo Bafafá). Com a escolha, o festival conseguiu captar a energia insana das festas de rua que estão tomando as noites de São Paulo e Rio de Janeiro. Os sets fazem a galera dançar de Moraes Moreira a Major Lazer, do house ao maxixe, sem medo de ser feliz. Fora que fez toda a diferença na hora de levar a galera pro rolê mesmo com o tempo cinza sedutor pro Netflix.

Além de muito #foratemer, teve Marcelo Camelo emprestando um climão intimista pro show do Cícero, que fez um festão romântico, desses que só brasileiro consegue entender tamanha felicidade na sofrência. Teve toda a delicadeza tropical da Céu, a bagunçona do Baiana System, o experimentalismo de Silva e Karol Conka tombando. Artistas de estilos diversos que reúnem o fino creme do que está rolando no país e que seguraram a galera até o último momento.

No resumo, fica um grande #voltalogoCoala. Ficamos na torcida para que o festival cresça cada vez mais se encontre promovendo iniciativas locais e integrando São Paulo e Rio. É muito estranho que as cenas das duas capitais, que abrigam os maiores centros culturais do país, não estejam organizadas o suficiente pra ter festivais equivalentes ao Bananada ou ao Goiânia Noise, com um line-up atraente mesmo sem gringos, preços acessíveis e incentivando a nossa capacidade de festejar mesmo em momentos difíceis.