Há percursos curiosos! O das Marsheaux é definitivamente um deles. Estaríamos algures em 2007 ou 2008 quando pela primeira vez Marianthi Melitsi e Sophie Sarigiannidou se cruzaram pelos nossos olhos e ouvidos. Numa compilação de industrial ou gótico polvilhada aqui e ali por nomes obscuros do synthpop ou num cartaz de algum dos grandes festivais do géneros que invariavelmente (com a mui honrosa e gloriosa excepção do nosso Entremuralhas que na altura ainda não existia) decorrem pela Alemanha e arredores ou numa revista da especialidade que eram leitura frequente, (a Side-Line Magazine caía na caixa de correio religiosamente todos os meses) ou quase de certeza um pouco por cada um destes veículos o nome Marsheaux começa a surgir por todos os lados.

E o que chamou à atenção? O desfasamento sonoro em que as meninas de Atenas se viam envolvidas. Ou talvez não tanto assim já que Melitsi e Sarigiannidou (boa sorte com a pronúncia) louvam aos céus as influências 80s tal como os movimentos referidos. Tendo em conta a origem e desenvolvimento mediático dos mesmos, nomes como Depeche Mode, Ultravox, Erasure, Duran Duran, New Order ou Bronski Beat podem e são perfeitamente vocabulário corrente nos dialectos da sombra e do negro.

Musicalmente as Marsheaux usam também o mesmo palavreado sintético mas não se confinam a estruturas nostalgicamente replicantes dos sons de oitenta e colocam-se de forma nítida e inocentemente (da melhor forma possível) involuntária num universo onde pairam grooves disco, onde gravitam formações electro-glam, onde o synthpop colide directamente com os clássicos intemporais da pop – e sim, esses foram todos escritos nos anos 80 – e com mais uma série de definições sonoras sejam elas a new wave, o bubblegum ou mininal wave.

Tudo nestas meninas é especial e facilmente descartável dos habituais cânones habituais das bandas. Não nos chegam das ilhas britânicas nem da máquina americana, não chegam nem da Suécia, nem da Islândia, nem do Canadá, nem de nenhum daqueles hotspots que já sabemos de cor e salteado que vai não vai largam mais uma pérola e que, com mais ou menos facilidade, se vai espalhar mundo a fora criando cultos e seguidores. Mas o certo é que passados 12 anos desde o disco de estreia, E-bay Queen, e de sete discos – um deles a recriação completa, sublime e soberba de A Broken Frame, disco de 1982 dos Depeche Mode – as Marsheaux começam a sair do nicho de mercado onde construíram o seu casulo e 2016 pode ser o ano que Marianthi e Sophie esbarram de frente com o reconhecimento que já merecem  à mesmo muito tempo.

2016 recebe Ath.Lon, o novo disco das Marsheaux. Baptizado segundo o eixo em que gira o mundo delas, Londres e Atenas, o nome aproxima-se do termo grego athlos que significa conquista, talento, realização. Não sabemos se foi propositado ou não mas para já parece encaixar que nem uma luva.

A Tracker tem o grande prazer de ser uma das revistas europeias a estrear em primeira mão o novo single que abre caminho ao disco das meninas de Atenas. “Safe Tonight” é editado no próximo dia 03 de Maio pela Undo Records e até lá podem ir dançando connosco. “Safe Tonight” é um achado pop daqueles! Impossível é contornar a comparação com os The Cure e com “Just Like Heaven” mas como se o hino da banda de Robert Smith fosse recontado num mundo onde Ladytron, Ladyhawke, Goldfrapp e Client são donas e senhoras do ceptro de imperatrizes de um grande império sintético. Ah espera… e são mesmo!

Depois de Chvrches, as Marsheaux são a nova experiente realeza do synthpop que toda a gente deveria querer num palco nacional. Halo, halo, Paredes de Coura?! O single está aqui e conta ainda com os remixes dos Fotonovela e Nikonn, além de uma extended version.