Primeiro o choque e a surpresa, depois a resignação. A aceitação virá ainda, quiçá, longe na estrada que conduziu à eleição de Donald Trump como próximo presidente dos Estados Unidos da América, com inúmeras manifestações contra o resultado a multiplicarem-se um pouco em todo o mundo e, principalmente, nas costas da América banhadas pelo Atlântico e pelo Pacífico cujos votos não o ajudaram a eleger.

Muita tinta já deu a correr a caneta da indignação nos meios de comunicação e, tal como aconteceu com os momentos antecessores ao dia de todas as decisões – recorde-se o projecto 30 Days 30 Songs que cometeu a proeza de juntar nomes Death Cab For Cute, Jim James, Franz Ferdinand, Moby, Andrew Bird e tantos outros com o objectivo que visava desmascarar um homem de discurso populista e feito de declarações demagógicas, e que acabou por resultar em pouca ou nenhuma mobilização por parte do eleitorado norte-americano -, também agora, no rescaldo deste terramoto político a.k.a. trumpestade, vão surgindo outros quantos manifestos cujos mensageiros são nomes que tanto por aqui estimamos.

Os Animal Collective davam um concerto em Tampa, na Flórida, Estado no qual Trump arrecadou o voto dos Grandes Eleitores, numa altura em que tudo se começava a conjugar para uma inevitabilidade que, mais tarde, acabaria por se confirmar. “Pride And Fight”, tema resgatado do seu álbum ao vivo Hollinndagain de 2002, pisou pela primeira vez os palcos em 15 anos. And I’ll stand here with my pride and fight, cantaram eles, numa referência explícita à revolta pelo resultado eleitoral.

Na mesma noite, em Dever, no Colorado, Estado que Hillary acabaria por arrecadar, também a australiana Courtney Barnett personificou o desconforto do mundo com uma cover para”Drunk On Election Night”, tema original dos compatriotas Dan Kelly & The Alpha Males de 2006 que serviu de encerramento ao seu concerto. E não se fica por aqui a voz anti-Trump do mundo, com a propagação de mensagens por parte de inúmeros artistas nas redes sociais. Veremos o que os próximos dias nos reservam.

Têm-se propagado e inunda