2016 foi um ano difícil para os Beach Slang, com o vocalista James Alex a anunciar o último concerto da banda em plena digressão dois anos apenas após o lançamento de Who Would Ever Want Anything So Broken? – o seu EP de estreia -, que trouxe ao cenário musical mundial a tão perdida, tão requisitada e tão necessária sujidade displicente às guitarras estridentes do punk em pleno século XXI. O som que um dia tinha sido a pedra basilar de uma banda sonora para milhões de jovens inadaptados e impacientes por consumir e expulsar todo o seu teenage angst um pouco por todo o mundo, resultaram em dois registos de estúdio de longa-duração: The Things We Do to Find People Who Feel Like Us de 2015 e A Loud Bash of Teenage Feelings, duas colecções de canções que representavam o pouco que restava de uma geração cada vez mais formatada e abafada pelas convenções sociais.

A ameaça não chegou, no entanto, a concretizar-se em definitivo, e os conflitos emergentes no seio da banda acabaram por ser sanados com a substituição de metade da banda já no final desse mesmo ano com a entrada da guitarrista Aurore Ounjian dos Mean Creek e do baterista Cully Symington dos Afghan Whigs. Os sinuosos e tempestivos caminhos do punk tiveram seguimento, e seguindo a estética DIY dos 90s com a edição dos EPs em cassete -, nas reinterpretações dos Beach Slang para vários clássicos (como os The Jesus & Mary Chain ou Hope Sandoval) que com o tempo acabaram por se ir afundando numa pilha cada vez mais crescente de novos colectivos, projectos e canções nos dois volumes da colectânea Here, I Made This For You editados em 2016 e 2017.

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Em paralelo à rugosidade da sonoridade dos Beach Slang, James Alex ia pondo, a solo, alguma água na fervura com uma versão mais branda e arejada da banda que lidera sob a insígnia Quiet Slang, projecto com o qual agora edita um EP no seguimento de um teaser divulgado há cerca de duas semanas e através do single de avanço “Bad Art & Weirdo Ideas”, que mais não é que uma versão redesenhada a orquestras do mesmo tema presente no álbum The Things We Do To Find People Who Feel Like Us. Onde antes se respirava uns anos 90 vividos a insubordinação, rebeldia, tensão motivados por dores de crescimento e conflito interno, destila-se agora classe e elegância por pianos, violinos e violoncelos sóbrios e sofisticados, com a voz de Alex a deixar ainda transparecer resquícios da anterior reencarnação do tema e a não deixar cair por terra a veia nervosa do original.

We Were Babies & We Were Dirtbags será o EP de estreia de James Alex enquanto Quiet Slang e verá o seu alinhamento composto na totalidade por recriações de temas dos Beach Slang. É editado a 20 de outubro deste ano pela Polyvinyl Records.