O duo lisboeta foi acolhido nos Maus Hábitos na passada sexta-feira 13 e apesar de estarem “à espera de menos gente”, a sala meio vazia não amedrontou os Quelle Dead Gazelle, porque “estar no Porto é sempre bom”.

Ninguém sabia o que esperar de Maus Lençóis, no entanto o lado positivo de canções instrumentais é que, mesmo conhecendo os temas apresentados, há sempre alguma situação inopinada e que o público não orienta. Cada tema foi ágil e energético, todavia como o alcançaram ficou por desvendar. Quase como se a guitarra chateada de Pedro Ferreira andasse à chapada com a bateria nervosa de Miguel Abelaira. Não podendo ficar só pelo seu lado mais carrancudo e intimista, tiveram também em consideração o jingar de ancas reservado do público, ratificando a genialidade dos seus instrumentais.

Tiago Garcia, estrela do videoclipe de “Pedra-Pomes”, foi o exemplo de todo um envolvimento entre o artista e o público. O aniversariante dançou como se ninguém o estivesse a ver ao som do primeiro single, apresentado no mês passado, depois de ter sido convidado a subir ao palco. Todas as músicas tocadas desde “Chavalo Lusitano”, “Sede” ou “Abismo” mostram o leque aberto de influências dos Quelle Dead Gazelle: post-rock, stoner, math-rock, afro-beat e até pop. Depois de “Fala Baixo” a banda lisboeta despediu-se. Ou não. Entre silvos e louvores foi-lhes pedido directamente que tocassem mais uma, ao que Pedro Ferreira retorquiu “Vamos tentar, mas pode correr muito mal”. Soou então “Afrobrita”, tema do antigo EP. Tiago Garcia foi levado, em braços, novamente ao palco. Sendo acompanhado por tantos outros Tiagos Garcias.

A noite foi uma planície por onde correu uma gazela, misturando riffs pesados com ritmos combinados e dançáveis numa atmosfera psicadélica muito brilhante. Aqui as vozes saíram dos instrumentos. A guitarra não se cingiu à sua função e a bateria nunca se inquietou com a simples marcação do tempo, flutuando vigorosamente por cima do conceito.

As imagens de Marcelo Baptista:

Quelle Dead Gazelle @ Maus Hábitos