Quilt - Held In Splendor
50%Overall Score

Num mundo real onde os anos 60 já passaram vai para 50 anos ou lá o que é, custa a olhar em volta e tentar perceber de onde vieram tantos caleidoscópios, onde uma geração inteira foi desencantar camisas às flores e ácidos de qualidade quase idêntica aos que andavam no bolso de Lennon, Barrett ou Jerry Garcia. Mas o facto é que o revival, o movimento ou simplesmente a descendência ou o que se lhe quiser chamar, multiplicou-se ao nível da praga nos últimos anos.

Como nota de rodapé mas a meio da página, que isto dos ácidos não deixa nada em ordem e, para quem não sabe, um quilt é essencialmente uma manta de retalhos que faz parte das tradições matrimoniais norte-americanas desde os anos 30, se a memória não me falha. Ou seja, mais uma referência retro a décadas passadas da banda de Anna Fox e Shane Butler.

Held In Splendor começa da melhor forma possível. “Arctic Shark” é filho de Revolver e dos The Mamas & The Papas, continuando a herança liverpooliana dos fab four a dar cartas em “Saturday Bride” e em praticamente todo o disco. É como se Lennon tivesse escrito “Feels Like We Only Go Backwards” dos Tame Impala e subdividido a canção em N outras canções de formato mais pop… bom, ainda mais que o próprio original!

Bocados coloridos de nomes da enciclopédia psicadeliana como The Byrds, Jefferson Aeroplane ou Fleetwood Mac, juntam-se a outros pedaços de substâncias psicotrópicas de colheitas mais recentes. Aqui e ali vêm à memória aproximações sonoras a Mazzy Star, Tamaryn ou Black Ryder. Curiosa e coincidentemente ou não, estes dois últimos também frutos da casa Mexican Summer. Peças de violinos, violoncelos ou pianos são coisas pouco comuns neste mundo mais recente da maravilhosa psicadelia, mas que os Quilt, de forma mais que competente, conseguem coser a esta manta. Mais-valia que permite a Held In Splendor ter realmente algum brilho mais que a legião infindável de hippies fora de tempo e bem longe de San Francisco.

Sem surpreender nem acrescentar nada mas também sem por nenhum momento borrar a pintura, os Quilt e Held In Splendor são retalhos de pop psicadélico bem cosido aos retalhos do bem fazer uma canção perfeitamente esquecível. Chamemos-lhe um Lonerism for the masses.