O Reverence Valada fechou hoje em altíssimas o cartaz do primeiro dia do festival que decorre na bonita e idílica terra ribatejana e entrega este ano as honras de abertura à já habitual curadoria externa de uma entidade que toca em pontos-chave da estrutura e conceito do festival. Em 2015 as honras foram colocadas nas mãos do Lisbon Psych Fest –  que este ano decorre no dias 15 e 16 de Abril no Teatro do Bairro, em Lisboa – cabendo ao BLACK BASS – Évora Psych Fest suceder na tarefa de animar os primeiros Reverendeiros a montar a tenda junto ao rio.

E não vai haver, de certeza, uma gotinha de suor de desilusão, porque só de olhar para os nomes escolhidos pelos psychers alentejanos, um gajo já fica com a cabeça a saturninas velocidades. Ora vejamos então um a um como vai ser o arranque da 3ª edição do Reverence Valada, cada vez mais afastado do estreito conceito que o termo psicadelismo levou.

John Dwyer já é bem conhecido por aqui. Figura de proa da cena de San Francisco, é além de muitas outras coisas o cérebro por trás, pela frente e pelos lados dos Thee Oh Sees que regressam novamente aos grandes palcos nacionais depois de uma passagem arrasadora e histórica por Paredes de Coura em 2014. Dezasseis discos entre 2003 e 2015 – divididos entre as três encarnações da banda – os Ocs, The Oh Sees e finalmente Thee Oh Sees – fazem da banda de Dwyer uma das mais produtivas máquinas de fazer rock deste século. De dar atenção ao projecto Damaged Bug onde John dá largas ao seu lado mais electrónico bem como a todo o catálogo da sua label – a Castle Face Records – onde coabitam pontualmente gente como Ty Segall, White Fence, Fresh & Onlys, Coachwhips e OBN III’s, entre muitos outros. Esta é “Sticky Hulks” de Mutilator Defeated at Last lançado no ano passado.

Mais outro regresso é o dos Chain And The Gang. A banda de Ian Svenonious estreou-se por cá numa noite de níveis antropológicos em 2011 no palco do Musicbox. Desde então, o ex-Make Up e ex-Weird War e ex-uma série-de-coisas remodelou a banda, editou dois livros – Supernatural Strategies for Making a Rock ‘n’ Roll Group e Censorship Now!, lançou dois discos – In Cool Blood e Minimum Rock’n’Roll – e passou por Lisboa e Porto em Dezembro passado para promover o seu ESCAPE-ISM a solo. A presença de um mito vivo seria mais que um bom motivo para rumar a Valada mas ainda há mais.

Outro dos comebacks a terras lusas cabe aos J.C.Satàn que partilharam o palco com Ty Segall em 2014 no LUX em Lisboa. “Super” deve ser a palavra mais adequada para anexar aos italo-franceses sediados em Bordéus. Super rápidos, super abrasivos, super psicadelicamente afectados, super super super intensos. Arthur é francês, Paula Scassa é italiana e contam já com Sick Of Love de 2010, Hell Death Samba de 2011, Faraway Land de 2012 e o mais recente e auto-intitulado J.C.Satàn. Isto promete níveis cósmicos de rock’n’coolness.

Deixando cair o Schujaa do nome e avançando apenas como Blaak Heat, estes são os segundos passaportes franceses a ganharam o carimbo Valada no dia 08. Até agora os mais fiéis seguidores do termo psych do dia, os Blaak Heat andam por aí desde 2008 e levam já três discos na mala da nave espacial. Blaak Heat Shujaa em 2010, The Edge Of An Era em 2013 e Shifting Mirrors em 2016 marcaram bem o nome da banda entretanto imigrada para Los Angeles e reformatada com novos elementos locais. Psicadelismo, deserto, mescalina, sludge e doom iluminado são os ingredientes para um set que se quer mágico e extra-sensorial nas margens líquidas do Reverence.

Os Flavor Crystals são a última adição extra-lusitania a compôr o cenário sonoro do dia 08. A estrear pelas nossas terras, a banda de Minneapolis conta com Josh Richardson, Nat Stensland, Vince Caro, Jon Menke a apurar o sabor dos cristais que vão largar debaixo da língua de todos neste dia. On Plastic, Three e o último The Shiver of the Flavor Crystals são a ementa para a trip space-rock dos norte-americanos que se movem lentamente por entre os livros de estilo dos Spaceman 3, Spiritualized e Brian Jonestown Massacre. Vai ser hora de sonhar no Parque de Merendas.

Depois da selecção do resto do mundo chega a selecção portuguesa. Todas elas residentes na casa da Pointlist, organização responsável pelo Black Bass, e portadoras de um ID que diz invariavelmente ou garage ou psych. Todas elas sediadas a norte e com as guitarras na ponta dos dedos. Os The Sunflowers – o duo do Porto que esteve no Jameson Urban Routes’15 com os La Femme – juntamente com os Sun Mammuth e os 800 Gondomar, são os representantes da nova safra portuguesa e três nomes a seguir com toda a atenção. Para conhecer ou redescobrir aqui em baixo.