Bristol viu em tempos as suas ruas darem à luz um sem número de bandas que pouco a pouco formavam as fileiras do que viria a ser um variado e ambíguo exército que fazia questão de pintar os cinzentos de várias tonalidades. Chamaram-lhe trip-hop e ainda hoje, apesar de os mapas musicais já não assinalarem a cidade a cinzento florescente, deixa sinais de vitalidade modulada à evolução de uma espécie. E Bristol, duas décadas e meia depois, continua a oferecer pérolas ao mundo. Neste caso também uma pérola de cinzento vestida, ou despida se preferirem, tal a simplicidade enevoada que se apresenta no disco de estreia de Rob Bravery. Esque sai no final de Novembro pela Fullfill Records.

Esque é um trabalho de artesanato folk, mas folk refugiada em teclados e electrónicas, na bela arte de contar histórias de forma arrepiante e encantadora e numa mistura sublime de mundos. Imagine-se a frágil voz de Jackson, soul e doce, requisitada pela electrónica desviante e arquitectónicamente desconstructora dos arquétipos da pop dos Radiohead e do trabalho a solo de Yorke ou da vertigem espacial de escapismo sonoro de dois dos melhores rebentos da trip-hop, os Archive e os Sneaker Pimps ou a espaços até do trabalho a solo de Chris Corner enquanto IAMX.

Para já e antes do disco chegar temos para dar a conhecer Rob Bravery com dois dos vídeos para alguns dos singles que abriram o caminho até Esque. O single de estreia de Rob “Knock Out Ginger’” e o single mais recente “Me, Myself and the Scurvy Knave’”. Ficam também como curiosidade duas versões que comprovam o vasto horizonte sonoro onde Bravery navega  , “Soma” dos Smashing Pumpkins e “Dirty Diana” de Michael Jackson. Tantos mundos em uma só voz.

alec peterson sig