Rock de pulso e paisagens em parada de estrelas alternativas no disco de estreia de Humanist
87%Overall Score

O humanista é Rob Marshall, guitarrista dos extintos Exit Calm, e o humanista é um criador por excelência. Desde as pautas da banda shoegaze e post-punk britânica que Marshall se assumiu como um conhecedor privilegiado das fórmulas secretas da concepção dentro das estruturas comuns da canção que lhe permitia alcançar sempre um passo mais além na busca da perfeição, apesar de, pela mão dos Exit, nunca ter chegado plenamente a atingir esse estado. Agora, ao adoptar o alter-ego de Humanist, e ao primeiro lançar de dados a solo, Rob aproxima-se de vez e forma perigosa dessa perfeição que perseguia desde a primeira metade da década que se aproxima do seu ómega.

HUMANIST desfila uma série de convidados nas vozes, uns mais veneráveis, outros menos, uns do espectro musical, outros de outras artes. O poeta Carl Hancock Rux, John Robb dos The Membranes e fundador da revista Louder Than War, Mark Gardener dos Ride e Ron Sexsmith, são alguns dos nomes desta parada de vozes que tem em Dave Gahan, dos Depeche Mode, e em Mark Lanegan as estrelas maiores do firmamento que resolveu pintar (quase) a solo. A presença de Lanegan em quatro dos 15 temas não é uma surpresa de maior, já que o ex-Exit Calm co-escreveu algumas das músicas de GargoyleSomebody’s Knocking. 

HUMANIST surpreende na capacidade de, em torno de tanta gente distinta, se manter leal à sua visão, não transformando o álbum num conjunto de canções que são apenas um conjunto de partes. Os convidados são guiados e encaminhados para ser a voz correta do humanismo segundo as regras e vontades do seu criador. No disco, há também espaço para hinos rock rouco de baixos com pulso podre e forte, há a quase religiosidade pregadora caraterística de Cave, há sonorização de filmes por filmar, noise de guitarras como berbequins da alma, psicadelismo gutural e experimental.

Tanta coisa que há que podia e tinha todas as probabilidades de correr muito mal… mas só que não. Rob Marshall garante que se aproximou da tal perfeição e com altas probabilidades de ir ser relembrado naquelas famigeradas listas no final do ano.