Julho. Julho chegou. Para os amantes de música, o sétimo mês do ano é sinónimo de dois dos festivais portugueses mais fortes: o NOS Alive e o Super Bock Super Rock. O fenómeno dos festivais de Verão sofreu um estrondoso boom em 2014; ir a um festival tornou-se moda, mostrar aos amigos nas redes sociais que se estava no sítio X a ver um concerto da banda Y era algo que estava in. Enquanto que esta nova “praga” de pessoas que não têm qualquer interesse em concertos mas sim no ambiente, nos brindes, no convívio, no desejo de fazer inveja ao outro, prejudicou em muito o ambiente que se vive. Aqueles que vão a um festival de Verão por aquilo que é suposto – spoiler: música -, estão a ser recompensados da melhor forma que lhes é possível: através de artistas cativantes e sonantes.

Visto que a afluência a festivais de Verão nunca esteve tão em altas, as grandes promotoras como a Everything is New, Música no Coração ou a Ritmos esmeraram-se em grande para este ano: no espaço de dois meses, Portugal vai receber concertos de Radiohead, Arcade Fire, Kendrick Lamar e LCD Soundsystem. É impossível não ficar pasmado com a qualidade/diversidade de artistas que vão pisar os palcos portugueses, tudo com o intuito de a) garantir enchentes; b) oferecer o melhor cartaz de artistas dentro dos possíveis. Aliás, a brincar a brincar, os festivais portugueses chegam mesmo a contribuir para a economia do país, na medida em que muitos são os turistas que marcam férias em Lisboa com a intenção de ir aos nossos festivais (diz-se que temos dos festivais mais em conta da Europa). Se há alguém que se pode gabar de acolher estrangeiros das mais diversas nacionalidades, é sem dúvida o Optimus NOS Alive.

Caminhando para a sua décima edição, o NOS Alive preparou um cartaz de luxo para celebrar a data. Se ter The Chemical Brothers, Radiohead e Arcade Fire a encabeçar os três dias do festival já era bom, o que dizer de Pixies, Robert Plant, Tame Impala, Foals, M83, Grimes, Courtney Barnett, Biffy Clyro, Hot Chip ou Soulwax a juntarem-se à festa? Desde o início do ano que em cada dia que um novo nome era anunciado, o público português rejubilava de felicidade, tal era a qualidade do artista e o desejo de o ter por terras lusitanas. Entre tanta coisa boa para se ver no Passeio Marítimo de Algés, o difícil torna-se mesmo é escolher. É com esse intuito que a Tracker Magazine dá início a uma breve rubrica onde faz uma selecção daqueles que consideramos ser os concertos a não perder este ano no NOS Alive. De notar que face aos icónicos cabeças de cartaz, que são mais do que ponto assente serão os concertos com maior afluência dos respectivos dias – Radiohead e Arcade Fire não têm nenhum artista a tocar em simultâneo nos outros palcos -, nenhum fará parte desta lista, visto que o próprio nome fala por si. Sem mais demoras…

Calexico – Dia 9: Palco Heineken, 18h55

Vinte são os anos de carreira, nove são os discos que dela nasceram. Se já é difícil não ficar espantado com os números que os Calexico levam a Algés, mais será ficar-lhes indiferente: ao longo dos anos, transpuseram barreiras musicais para adoptar uma extensa diversidade de estilos – desde country, post-rock e até mesmo cumbia -, que lhes permite reinventar-se e surpreender com o passar de cada álbum; é quase como se de um folklore de sons se tratasse. A sua mais recente dança foi posta em prática o ano passado, seu nome Edge Of The Sun, havendo a possibilidade de no NOS Alive ser dançada a duas: Ben Bridwell (Band of Horses) participa num dos temas e estará em Algés nesse mesmo dia. Com ou sem participações especiais, os americanos já deram mais do que provas suficientes que são uma máquina bem oleada na arte de dar concertos, naquele que será o final de tarde mais bonito dos três dias do festival.

Vale a pena porque… Percorrer o globo ao som dos ritmos do mundo de Calexico sem sair da tenda do Palco Heineken? Uma colaboração entre duas bandas consagradas a acontecer mesmo em frente dos nossos olhos? A possibilidade de ver uma banda, conhecida pelo seu romantismo e interacção para com o público, a actuar num palco tão íntimo e pessoal? Estamos comprados!