Já passou quase 1 semana desde o NOS Alive? Como o tempo passa a voar… muitos ainda estão com as pernas doridas e a amaldiçoar a ‘excelente’ ideia que foi fazer a saída do recinto a partir do IC17/CRIL, naquilo que mais parecia gravações para a nova temporada de The Walking Dead. Contudo, esperamos que essas baterias já estejam recarregadas e prontas para dar o turbo porque temos mais um festival (de peso) à porta: o Super Bock Super Rock está de volta às margens do Tejo, no Parque das Nações, para a sua 22ª edição. Para este ano, o festival nómada português conta com Disclosure, The National, Iggy Pop, Massive Attack e Kendrick Lamar como principais atracções, naquele que será certamente um ano em grande para um do festivais com mais história no nosso país.

Ainda nem este que vos escreve era nascido e já o Super Bock Super Rock dava música por Portugal, mais precisamente na Gare Marítima de Alcântara e ao som de The Jesus And Mary Chain e The Cure. Desde aí, o festival já se realizou em diversos sítios desde no Porto – mais concretamente no Estádio do Bessa -, até Lisboa, onde se fixou nos últimos anos; desde o Estádio do Restelo, o Passeio Marítimo de Algés, o Meco até ao mais recente Parque das Nações. Ao longo de todos estes anos, a Música No Coração já assegurou concertos de Arcade Fire, Arctic Monkeys, Blur, LCD Soundsystem, Metallica, New Order, Prince, System Of A Down ou até mesmo de, imagine-se, Anselmo Ralph, só para enumerar alguns. Com tanta história na bagagem, o evento foi conquistando um lugar especial no coração dos festivaleiros portugueses, naquele que é já um ponto de referência no Verão de muitos. Em 2015, “o rock voltou à cidade”, hospedando-se nas imediações do Parque das Nações, com o Pavilhão Atlântico MEO Arena a fazer de palco principal e o chão cobrido pela pala do Pavilhão de Portugal de secundário, oferecendo novas e melhoradas condições ao seu tão estimado público.

Como festival veterano que é, o Super Bock Super Rock apresenta sempre um variado leque de artistas por onde escolher: desde artistas consagrados, novas promessas e (muita) música portuguesa, há muita música a acontecer de 14 a 16 de Julho. Por esse mesmo motivo, e como nos consideramos entendedores desta maravilhosa coisa chamada de ‘música’ e que une tanta gente, a Tracker Magazine volta a levar a cabo a sua rúbrica onde tenta facilitar-vos a vida e escolher 10 concertos que, na nossa opinião, não podem mesmo perder. A escolha não foi nada fácil, especialmente tendo em contra as tramadas sobreposições de artistas, mas tentámos fazer o nosso melhor. Novamente, excluímos os cabeças de cartaz, visto que são dado certo que serão os concertos com mais afluência nas três noites do evento. Portanto, dando o pontapé de saída na nossa lista…

Bloc Party – Dia 15: Palco Super Bock, 20h30

Os Bloc Party já não são a banda de outrora, é certo. As disparidades entre os membros do quarteto londrino originou o mal-amado Four e, posteriormente, à saída de Gordon Moakes e Matt Tong, dois dos pilares que sustentavam esta casa que acolhe hóspedes desde 1999. Mesmo sem estas peças-chave, Kele Okereke e Russel Lissack seguiram em frente e, com a ajuda de um novo baixista e baterista, lançaram Hymns no início do ano. Com uma sonoridade completamente diferente daquela com que nos habituaram, demonstram a vontade de deixar para trás a faceta indie-rock que os tornou conhecidos e adoptar um estilo mais orientado para o alternative dance; é como se de um novo renascer se tratasse. Mesmo assim, e não sejamos hipócritas, são os Bloc Party de 2005-2008 que ainda detêm um lugar cativo no nosso coração e, com base nos alinhamentos que têm tocado, é quase crucial não perder a oportunidade de (re)ver clássicos como “Banquet” e “This Modern Love”, aqueles que ainda mexem connosco, antes que abandonem por completo a banda que foram.

Vale a pena porque… na década de 2000, os Bloc Party estavam na frente do movimento post-punk revival britânico, advinhando-se um futuro brilhante para a banda oriunda de Londres. Quis o destino que esta história de amor não tivesse um final tão feliz como o esperado, mas engane-se quem pense que já tem um ponto final: por aquilo que foram, por aquilo que são e por aquilo que eventualmente serão, não percam a oportunidade de ver a banda que criou um dos melhores discos de sempre, o Silent Alarm. Mesmo não sendo a formação original, Kele Okereke e Russel Lissack ainda dão a cara por uma das nossas memórias de adolescência, uma daquelas que vai fazer com que, durante uma hora, tenhamos um sorriso estampado no rosto no Palco Super Bock.

DJ Shadow – Dia 14: Palco Carlsberg, 02h50

Conciliando da melhor maneira electrónica ao som de hip hop com trip hop está Joshua Davis, ou DJ Shadow como é mundialmente conhecido. A forma como o americano se destaca através do recurso a samples para dar uso à sua vasta imaginação e criar melodias puramente instrumentais de hip-hop, tornam-no numa referência dentro do género, abrindo as portas a que mais artistas recorressem e, porventura, se destacassem na arte dos samples, como os australianos The Avalanches. Talvez, o ambiente deste festival não seja o mais indicado para o produtor – muitos serão aqueles que não fazem a mínima ideia de quem seja -, mas certamente que aqueles que serão induzidos no erro de assistir ao concerto de DJ Shadow só porque “é DJ, deve passar boa música para dançar”, vão apanhar uma valente surpresa, daquelas que se revelam em posterior paixão, ou não fosse Endtroducing… um marco na história do hip-hop enquanto música electrónica.

Vale a pena porque… depois do arraso sentimental causado por The National ou de dançar até a música deixar de ecoar em Jamie xx e Disclosure, cabe a DJ Shadow não deixar a festa do primeiro dia do Super Bock Super Rock acabar tão cedo, proporcionado uma viagem pelo mundo do hip hop a todos aqueles que estejam aptos a descobri-lo. Com disco novo, The Mountain Will Fall, lançado no final de Junho, prevêem-se algumas surpresas na manga, onde não irá faltar “Nobody Speak” que, com ou sem os Run The Jewels, é sinónimo de uns quantos “põe a mão no ar, yo!”.

FIDLAR – Dia 16: Palco EDP, 20h00

Sendo uma das poucas estreias a ocorrer no festival, muito se falará do concerto dos FIDLAR depois de dia 16. Conhecidos pelas suas actuações intensas e explosivas, ou não tocassem os ‘punks’ oriundos da Califórnia (surf, skate e garage punk), até a pala do Pavilhão de Portugal que acolhe o Palco EDP vai estremecer ao som do quarteto americano. Com apenas dois discos, com o segundo Too lançado no ano passado, a banda oriunda de Los Angeles irá demonstrar o porquê de terem sido considerados pela Stereogum como uma das melhores novas bandas a surgir no ano de 2012. Passados quatro anos, chegou a altura dos portugueses apanharem as ondas do crowdsurfing do Tejo e criarem um autêntico campo de batalha para os ‘moshers’, ou não fôssemos um povo com raça de guerreiro. Quer-nos parecer que a intensidade e a entrega do público será tão grande que os próprios FIDLAR vão querer fazer parte da festa… Os seguranças que se preparem pois isto vai ser um concerto do car(v)alho.

Vale a pena porque… num dia praticamente dedicado em exclusivo ao rap e ao hip hop, o garage punk dos FIDLAR será como uma lufada de ar fresco no ambiente do próximo sábado, demonstrando aquilo que o Super Bock Super Rock faz de melhor: reunir artistas de diferentes estilos no seu cartaz de modo a agradar a todos os gostos. Com The Parrots a abrir e FIDLAR a fechar, o ‘Rock’ presente no nome do festival estará bem representado.

Iggy Pop – Dia 15: Palco Super Bock, 22h00

Se tivéssemos que descrever James Newell Osterberg, Jr. numa frase seria de caras: “velhos são os trapos”. Já com 69 anos de idade, Iggy Pop é o exemplo de uma máquina de rock funcional e bem oleada, tendo um espírito e uma presença tão jovial que às vezes até custa a acreditar que tem idade para ser nosso avô. O veterano artista volta ao festival onde já foi feliz com os ‘seus’ Stooges em 2005 mas, desta vez, apresenta-se em nome próprio. Mesmo com o novíssimo Post Pop Depression – disco que contou com Josh Homme dos Queens Of The Stone Age e Matt Helders dos Arctic Monkeys – a servir de mote para o concerto de dia 15, os clássicos de outrora que tornaram Iggy Pop num dos ícones punk não serão esquecidos. Com um total de 17 álbuns lançados a solo desde 1977, o mais difícil será mesmo a tarefa de James em escolher quais as canções a levar a palco na próxima sexta-feira. Seja qual for o alinhamento, uma coisa é certa: este será o concerto de uma vida para os espectadores do Super Bock Super Rock.

Vale a pena porque… quem conhece Iggy Pop sabe que é super imprevisível em palco: ali, ele é que manda. Actuando na maior sala de concertos em Portugal, está montado o trono para que o rei James mostre o porquê de ser lorde e senhor do punk, uma lenda viva que já conquistou a imortalidade. Ele diz que quer ser o nosso cão e muitos são os vassalos que vão estar no MEO Arena dispostos a adoptá-lo, mas a questão que se coloca é a de quem é que conseguirá domar este animal? Apenas uma pessoa, o próprio James Newell Osterberg, Jr.