São tantos os artistas que nos últimos anos têm deixado desbotar as esparsas e melancólicas paisagens soalheiras da folk e na grande maioria dos casos, aquelas que os deram ao mundo, para habitar em herméticas esferas geralmente nocturnas produzidas pela electrónica – como Bon Iver, Villagers e James Vincent McMorrow, apenas para citar alguns -, que pouco já se estranha quando alguém se deixa beliscar por tecidos mais urbanos e globalizados num caldeirão de sons, fazendo respirar ares mais condensados e deixando para trás um trilho orgânico e acústico.

É também o caso de Rubel. Já não se ouvem acordeões, já não se ouvem banjos, já não se ouvem guitarras acústicas nem se sente o nascer do sol naquela bolha suave e lânguida onde as brisas sopram mais suaves e o tempo corre mais devagar. Rubel saltou a cerca e imprime agora em disco um mundo que descobriu que, mesmo que ainda não tão perto assim da electrónica, não se encontra assim tão longe.

Com disco novo pronto para suceder a Pearl de 2013 – memória discográfica tornada diário sonoro das experiências que o carioca viveu em Austin, no Texas, durante o decorrer de 2011, “Colégio” abre uma nova janela para a tradução do que vai na alma de Rubel em som. As orquestras dos momentos iniciais de “Colégio” – o primeiro retrato musicado de Casas -, denunciam uma nova fase, um novo rumo e uma nova vivência na carreira de Rubel.

Carregado de harmoniosos beats e outros elementos processados que vão orbitando em volta de violinos e trompetes já na parte final da canção, este “Colégio” revela, no entanto, que a suavidade da voz se mantém nos mesmos níveis de macieza de antigamente e que a electrónica não adulterou a nostalgia nem o sopro ameno que sempre foi condição intrínseca à veia artística de RubelCasas será o segundo longa-duração de Rubel Brisolla e o espectáculo de lançamento tem data de 25 de novembro na Casa Natura Musical, em São Paulo.