Sun Bridge é uma expressão que define um fenómeno em que na superfície imóvel de um lago o reflexo do sol se estende e se assemelha a uma ponte de luz. Uma ponte proporciona encontros, é mediadora entre dois estados diferentes, dois lugares, símbolo de novas aventuras, coragem e esperança. Talvez, estes capitães encontrem o que procuram do outro lado desta ponte, ou talvez o verdadeiro desafio e aventura seja a própria travessia. Encontramos, de facto, uma vontade de sair das estruturas experimentadas e testar novas nuances sónicas.

Três anos passados após o lançamento do seu último álbum Best Times, os britânicos My Sad Captains têm previsto um novo longa-duração que levará precisamente o título Sun Bridge e que chegará ao público no dia 6 de Outubro pela Bella Union, editora de bandas como Beach House e Fleet Foxes. O single de avanço “Everything At The End of Everything” para aquele que será já o quarto disco dos londrinos, chega-nos sob forma sonora e também visual, com o lançamento do vídeo que acompanha a canção.

Uma intro pela mão da bateria, que se prolonga durante os primeiro quatro planos do vídeo, uma progressiva abertura da imagem que finalmente termina com o retrato de um pequeno monte no meio de um campo verdejante. A luminosidade é reduzida, e surge então um nevoeiro que valseia num cenário soturno, sincronizado com os sons sintetizados de tom espacial. O vídeo é feito por um jogo de proporções, aproximações e recuos, situações estáticas, transitórias, como o casal de viajantes que parece observar o horizonte numa perspectiva reflexiva, enquanto o tempo continua com a sua calmia e inevitabilidade.

O verso de abertura “I don’t know why we live and die over and over” – apresenta logo essa questão da repetição e dos ciclos que acompanham as vidas. Mais uma vez, como anuncia o título do álbum da banda londrina, experienciamos essa sensação de estado de transição, somos desafiados a dar atenção ao momento preparatório, ao momento reflexivo que prepara o impulso e antecede a transição. Terminando com a mesma imagem, dão a volta ao círculo e assumem essa ideia de que as formas que são a evolução umas das outras constituem o mesmo todo, fazem todas parte umas das outras.

My Sad Captains conseguem estender o tempo, retirar uma porção que tantas vezes se esfuma e se torna despercebida por todos, e fazer um trabalho desenvolvido em volta desta ideia. O disco promete ser mais dinâmico, dando ainda continuidade às leves influências psicadélicas, a brisas de folk tímido e a um indie-pop regado a twee do disco anterior, Best Of Times de 2014.