Ao primeiros segundos de uma qualquer canção dos PAWS podemos ser levados para vários sítios. Quase sempre esses sítios irão envolver o passado e 90% desse passado irá situar-se nos tão amados anos 90. De resto, Weezer, Sunny Day Real Estate ou Pavement, é só questão de escolher; por onde quer que se vá, estarão presentes as guitarras a zumbir e as vocais energéticas e cheias de borbulhas.

Este conjunto de Glasgow, ainda que muito europeu, soa quase completamente como uma banda made in USA. Ao longo do seu pop punk furioso, cheio de pressa para viver e tingido com os típicos dilemas de crescer, conseguimos ver muito mais as casas rasas de madeira, os subúrbios irrequietos com quintal de frente e as rampas de skate do que o ambiente mais ancestral da sua terra natal; contudo, pouco disso pode interessar quando o espírito que se tem reproduz na íntegra esse mesmo feeling.

Começando como um trio, o grupo lança até à data dois discos cheios de vida e homenagem a importantes heróis musicais na fase de crescimento. Entre Cokefloat! (2012) e Youth Culture Forever! (2014) – escrutinado pela Tracker – encontramos nestes PAWS uma vivacidade que contagia e se apresenta mestre na criação de boas e musculadas canções. Não se trata de inovar, ou tão pouco de primar pela originalidade, uma banda como este trio escocês procura algo diferente da música e a sua forma de operar baseia-se antes de tudo no sentimento e na textura, principalmente quando ambos se desviam para o regime da agitação e do bem-estar.

Iminentemente sólidas, as composições dos PAWS têm a personalidade daquele tipo boa onda que não exige toda a atenção mas facilmente consegue contagiar o grupo a entrar na brincadeira. Essencial para a gritaria, a dança e bom mosh de sorriso na cara, a música deste trio serve, se para alguma coisa, apelar à importância que tem o não querer envelhecer e como se pode ganhar mais alguma coisa em não sair da festa mais cedo.

A festa que grupo organizou para curar os males da vida vai durando já desde 2012 e adequadamente no verão, soltam um novo capítulo. 17 de junho é quando lançam o novo disco, No Grace, produzido por Mark Hoppus dos Blink 182. “No Grace” e “Gone So Long” são os avanços que se podem ouvir do novo registo. Mais polidos e igualmente polvorosos, decepcionam quem esperaria algo de novo no som da banda, mas alegrarão aqueles que encontraram que a atitude continua ainda cristalizada e radical. Paranóia, dramas imaginários e solas de ténis arrancadas. Há proposições que vivem e vivem.