O Monstro ficou para trás, o Cão já nem se vê daqui, as Violetas secaram nas paredes da cidade, o Bandido fugiu para outros Nadas e Manel Cruz assume-se, desde há dois anos para cá, como simplesmente Manel Cruz, um dos mais influentes, carismáticos e geniais escritores de canções dos últimos 20 anos. E é precisamente na curva do tempo que marca essas duas décadas que Cruz anuncia o seu primeiro disco em nome próprio, depois de deixar uma marca inesquecível na música portuguesa com os Ornatos Violeta, Supernada, Pluto e Foge Foge Bandido. Sem data nem nome mas com o largo espectro temporal de 2018 como local onde o reencontro com as palavras e sons de Manel Cruz se fará sentir, o músico nortenho tem passado o verão com vista sobre o público em cima de alguns palcos entre os quais o Vodafone Paredes de Coura.

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Agora e apenas com uma única música revelada oficialmente em Julho passado – “Ainda Não Acabei” -, é a vez do Vodafone Mexefest e a cidade de Lisboa aniquilarem as saudades de Manel Cruz. Não se esperem grandes viagens ao passado mas sim uma entrada pelo futuro adentro. Manel toca Manel e aquilo que o disco novo trará, um exercício sonoro que tem vindo a fazer ao lado dos elementos que agora o acompanham na paragem em “Estação de Serviço”, um projeto que entretanto evoluiu para “Extensão de Serviço” com Nico Tricot, Edu Silva e António Serginho.

O festival da Avenida da Liberdade que se alastra para outras ruas que desaguam no leito mãe da cidade de Lisboa tem data marcada para os próximos dias 24 e 25 de Novembro e conta até agora com os nomes de Aldous Harding, Cigarettes After Sex, Childhood, Destroyer, Julia Holter, PAULi e Valete. Entretanto, o concerto de Charles Bradley foi ontem cancelado bem como todos os concertos do músico norte-americano depois do anúncio de uma nova batalha contra um novo cancro.

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