Acordem-me quando setembro terminar e o Semibreve chegar. A primavera ainda é uma criança, os dias crescem, mas são muitos os melómanos que já estão em contagem decrescente para a sétima edição do festival de música eletrónica a realizar-se em Braga, entre 27 e 29 de outubro. O cartaz ainda está a ser cozinhado, mas os primeiros quatro nomes já são conhecidos e aquecem as expectativas. Da gélida Noruega chega Deathprod e dos fiordes islandeses vem até Portugal Valgeir Sigurðsson. Ao par de artistas nórdicos junta-se o neozelandês Fis e ainda Kyoka, que divide o seu trabalho entre Berlim e Tóquio.

Deathprod é o projeto musical do compositor Helge Sten, que desde o início dos anos 1990 tem vindo a apurar um minimalismo atmosférico e sombrio, capaz de abrandar o tempo e levar os ouvintes numa odisseia até às mais ínfimas partículas do som. Fortemente ligado à improvisação, o artista norueguês já produziu álbuns de Motorpsycho, Jenny Hval ou Arve Henriksen. As atuações ao vivo de Sten são escassas, o que torna este concerto de estreia em Portugal uma ocasião ainda mais especial.

Fis lançou em 2016 o disco From Patterns to Details com o qual conquistou a crítica. E não só, pois o trabalho discográfico do músico neozelandês inspirou o poeta Rick Holland a escrever um poema para cada uma das faixas. Este é outro dos artistas a debutar em território nacional, levando o público até uma viagem imersiva por sonoridades eletrónicas naturalistas, físicas, trepidantes e com um cariz vincadamente exploratório.

Já o islandês Valgeir Sigurðsson vem ao festival Semibreve apresentar Dissonances, álbum com data de lançamento anunciada para 21 de abril e do qual é extraído a faixa de avanço “Infamy Sings”. Depois de em 2013 se ter consolidado com o disco musicalmente bem alicerçado Architecture of Loss, o nome do produtor e compositor pode ainda não soar familiar para os mais desatentos, mas basta olhar para o naipe de artistas com quem Valgeir já colaborou para que todas as dúvidas se dissipem: Björk, Sigur Rós, Brian Eno, Damon Albarn… Vale a pena continuar? Vale a pena ouvir.

Por fim, mas não menos importante, Kyoka é uma música e compositora que trabalha entre Berlim e Tóquio, com uma reputação construída e sustentada na abordagem caótica, com um som bruto e visceral, harmonizado com um pop-beat quebrado, onde o experimentalismo permite dar um pé de dança.

Os primeiros passes-gerais para os três dias do evento já se encontram à venda e têm um custo de 25 euros. O Semibreve é organizado pela AUAUFEIOMAU, tem a direção artística de Luís Fernandes (peixe: avião e Quest) e conta com o apoio da Câmara Municipal de Braga.