Sharon Jones & The Dap-Kings - Give The People What They Want
60%Overall Score

Se formos questionados sobre os grandes nomes do soul, lembrar-nos-emos quase instintivamente de nomes inultrapassáveis como Otis Redding ou Aretha Franklin. Mas o que é certo é que o próprio soul foi sendo catalogado, ganhando diferentes denominações como o Motown (Detroit), Deep Soul, Northern e Southern Soul, Neo Soul, Nu Soul e por outras notas fora. Porém, tal como o blues, o gospel e/ou o jazz, há um linha de defensores do purismo e do modernismo. E aí podemos facilmente entrar em alguns extremismos na defesa deste género musical tão sensorial e emotivo.

Seguramente, quando falamos do último trabalho de Sharon Jones & The Dap-Kings Give The People What They Want, sexto álbum desde 2002, justiça tem de ser feita: a orquestração e aprimoramento sonoplástico são extraordinários! Além de – e aplauda-se! – Sharon ter entrado em estúdio sobre a nuvem negra de lutar contra uma doença crónica. Mas – e aqui surge o mas – toda a verdade de que o soul é feito, remontando às origens da fusão do r&b e gospel, se esvai na escuta deste disco.

Quando dobramos a leitura do mesmo, torna-se excessiva a preocupação nos detalhes, entrando em preciosismos entediantes e redundantes. Como tal, a análise destes 10 temas que compõem o Give The People What They Want será sempre uma opinião pouco musculada. Há álbuns que com fácil clareza podemos detectar a sua qualidade. Aqui, ela é indesmentível. Só que o rasgo que o soul provoca e provocou no crescimento de qualquer bom ouvido, fica muito a desejar. Se bem que os laivos de funk aqui associados poderão desconstruir a nossa crítica. E mesmo que certas odisseias musicais não acrescentem nenhuma descoberta da pólvora, nomes há como o sexagenário Charles Bradley que, há quase três anos, se estreou com um álbum cheio de amor e sentimento, No Time For Dreaming. Não trouxe uma produção arrebatadora, mas sim(!) o tal rasgo, descurando propositadamente qualquer polimento ou envernizamento: o soul só pelo soul!