Uma corrida rápida ao IMDB dá razão à memória: o nome Michael Cera apresenta um currículo bem mais composto no que toca ao cinema e ao seu papel de actor no mundo do que propriamente encaminha as recordações para discos ou músicas. Juno, Twin PeaksScott Pilgrim vs. the World ou Paper Heart são apenas alguns dos locais cinematográficos por onde podemos encontrar Cena. Mas o registo musical já é outra conversa, e são precisos largos minutos para perceber por onde tem andado. Na verdade, não tem andado por muitos lados que se situem longe da 7ª arte. Um disco de originais em 2014, True That e a banda sonora para Paper Heart, estavam entre os momentos mais marcantes da carreira de Michael.

Estavam, até agora. Depois da nova colaboração com Sharon Van Etten mais olhares se irão virar com certeza na direcção do seu trabalho enquanto músico. Nascido de um encontro fortuito e de um convite de Van Etten, a relação criativa entre os dois estreitou-se, e Cera convidou Sharon para integrar o rol de colaborações na banda-sonora do documentário Dina para o qual escreveu o score.

Sharon and I share a music rehearsal space together in New York where we keep all our stuff. It’s the kinda place where you can go and play music all night with no noise concerns.

I met Sharon one night and we got talking. She mentioned that she had a place and was looking for a person to split the rent. It was just so perfect, exactly what I had been looking for… When I have friends in town, we end up going there and fooling around. It’s great to have a place where you can play drums really loudly at 4am and not care at all. – Michael Cera

“Best I Can” é assim o primeiro tema a representar o documentário realizado por Antonio Santini e Dan Sickles, uma película onde se desenrola uma bizarra história de amor entre uma suburbana excêntrica e o porteiro de uma loja Walmart. O documentário venceu o prémio de Melhor Documentário no Vancouver Film Festival, e o vídeo para a colaboração de Sharon com Michael conta com imagens retiradas do filme que embalam os synths doces e inocentes de forma quase infantil e cândida.