Matthew Herbert é das criaturas mais difíceis de perseguir pelas ruas a fora numa missão de stalking sonoro. Ora deixa cair o Matthew, ora se transforma em Doctor Rockit ou Wishmountain e tanto se esconde na multidão da sua Big Band como é simplesmente Herbert com ou sem Matthew, com ou sem o à muito guardado sabe-se lá onde Radio Boy.

Podíamos dizer que desde 2006 não sabíamos dele mas não era verdade. Herbert demorou nove anos a dar sequência ao último registo, Scale, mas a verdade é que Matthew entretanto recompôs Mahler, subdividiu o algarismo UM em três – One One (2010), One Club (2010), One Pig (2011) –  e ainda cumpriu os desejos da montanha com Tesco em 1012. Conseguiram acompanhar?! Confessa-se que nós não!

Simplificando! Há disco novo de Herbert (sim, só Herbert) em Junho próximo. The Shakes chega com a promessa de ser o primeiro disco de dança do produtor/compositor/homemdos1000rostos britânico mas sobre os dois vídeos que nos caíram no email fica a pairar a nuvem da dúvida. Considerado a sequela do marco da electrónica moderna que foi Bodily Functions, The Shakes revolve-se em si mesmo como um momento de terapia sobre questões pessoais do músico. Questões como as formas de educar crianças num mundo instável, a formatação da sociedade para um modo de auto-destruição e as desigualdades crescentes em vários aspectos não inspiram à primeira vista muita alegria e vontade de nos mandarmos para o dancefloor mas tal como ele nos explicou

When I started writing music, I did it because I could, because there was a chance to, because I liked it. As I get older these reasons become less compelling. (…) music helps to motivate, provide respite and divert us from the challenges of the everyday.

Entre o anúncio do disco e a sua data de lançamento a 1 de Junho todas as faixas serão reveladas uma a uma e acompanhadas pelo seu respectivo trabalho visual. Todos os vídeos são realizados e pensados por Matthew na companhia da cinematografa Margaret Salmon. Gravados em um só take e em sequência os vídeos pretendem ser o espelho critico e em movimento da vida quotidiana, da chamada “still life”. Para já ficamos com o soul circular, negro e planante de “Battle” e “Middle”, esta sim já a pedir a pista de um clube. Vamos dando conta das restantes músicas e vídeos semana após semana até Junho.

 

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