Snowbird - Moon
70%Overall Score

No que à 4AD toca, os fins não justificaram os meios. Há um fim que foi ditado por outros. O que é, parecendo que não, diferente. O último disco dos This Mortal Coil Blood, dos Pixies Trompe Le Monde, dos Throwing Muses com Tanya Donelly The Real Ramona e dos Cocteau Twins Heaven Or Las Vegas, precipitaram a morte da 4AD como a conhecíamos, ou seja, a editora fundada por dois ex-empregados da Beggars Banquet (e financiada por esta) em 1979, sob a denominação Axis Records. Estávamos em plenos anos 90 e, muito embora alguns (excelentes) discos dos Red House Painters ainda tenham visto a luz do dia, tem-se como facto histórico que a 4AD só tenha voltado a ser alguma coisa de parecido com a 4AD em 2007. Ou seja, dez anos depois do fim oficial dos Cocteau Twins. Ou seja, no ano em que o seu “cérebro”, Simon Raymonde, passa a estar mais focado na editora que ergueu, a Bella Union, pela qual Stephanie Dosen lançou o seu segundo disco a solo, A Lily For The Spectre, em 2007. Pouco depois, estão a gravar juntos e o debut vem sob a forma de uma maravilhosa cover do “Goodbye Blye Sky” dos Pink Floyd para uma compilação da revista MOJO. Foi um sussurro deste grito que nos chega agora.

Moon, dos Snowbird, não é só um belo disco do dueto Dosen/Raymonde. É uma cuidadosa escavação arqueológica de onde foi recuperado o melhor da dream pop dos Cocteau Twins para que faça todo o sentido nos dias de hoje. Até a voz de Stephanie Dosen. A nostalgia não funciona aqui como motor de consumo (tampouco de criação, Dosen vem da folk de inspiração celta), mas o papel determinante dos Cocteau Twins no futuro que é hoje torna-se óbvio. Nos temas “All Wishes Are Ghosts”, “Come To The Woods”e “In Lovely”, renascem também os This Mortal Coil. Depois há slide guitars em “Charming Birds From Trees”, coros angelicais e pianos em “Amelia”, um dos melhores momentos do ainda jovem 2014, até algumas “malhas” mariachi em “Heart Of The Woods”. Moon é um daqueles discos que satisfaz urgências de novidade com todo o conforto de um lugar onde fomos muito, muito felizes. E se dúvidas houvesse, há sempre o disco de bónus, Luna, em que as mesmas músicas são desmembradas até chegarem ao minimalismo que já não deixa qualquer réstia de dúvidas. Os Cocteau Twins vivem. Para bem de todos nós.