Entre os gloriosos caminhos da Rússia, os heróis de infância e o regresso às origens. Dez perguntas rápidas aos senhores de nome longo e curioso e das canções indie-pop de tez primaveril ainda maiores.

Um verdadeiro prazer falar com vocês! Devem estar sempre a ser questionados sobre isto, mas… porque raios o Boris Yeltsin e não um outro russo famoso, como o Gorbachev ou Tolstoy ou qualquer outro? Tem alguma coisa a ver com a sua enorme inclinação para o álcool?

Pura coincidência, nobre senhor, pura coincidência. Calhou ele ter anunciado a sua renúncia ao cargo de presidente na mesma altura em que estávamos a formar a banda. Ouvíamos falar dele constantemente na rádio e nas notícias e pensámos “Bem, é um nome que fica no ouvido…”

 Foram convidados pela Fundação Boris Yeltsin para tocarem na Rússia, correcto? Como foi essa experiência? Vocês costumavam brincar sobre isso e isso veio mesmo a acontecer.

Na verdade, foi bastante comovente. Tivémos uma recepção bastante calorosa no meio da neve e do gelo de Ekaterinburg. Os funcionários que conhecemos estavam tão felizes com o facto de estarmos a divulgar o nome do Boris Yeltsin que nos fizeram sentir como se estivéssemos a fazer uma grande coisa. É uma óptima sensação saber que compor e tocar música pode ter um efeito tão forte e positivo em pessoas do outro lado do mundo.

“Fly By Wire” foi escrito e gravado num sótão, como se fazia antigamente. Sentiram necessidade de voltarem às origens?

Simplesmente não tínhamos dinheiro para fazê-lo noutro lugar!

Há sempre uma espécie de “brincadeira de criança” e uma atmosfera veraneante nas vossas canções. Mas em “Fly By Wire” reside uma maior diversão ainda, as canções contêm uma maior dose de alegria. Estará relacionado com esse regresso às origens?

Acho que simplesmente foi bom passarmos tempos juntos. Era primavera, tínhamos todas as janelas abertas e passávamos tempo juntos no terceiro andar perto das árvores. No geral, foi uma experiência bastante positiva.

O Harrison Ford foi um herói para vocês enquanto na infância/adolescência? Foi para mim, especialmente por altura do Indiana Jones.

Absolutamente, sem dúvida! O Phil [Philip Dickey, baterista] queria ser o Fugitivo quando crescesse.

Definitivamente vocês não estão a voar por um fio… As vossas canções são mais corpulentas, mais cheias, mais alegres! Quase 10 anos passados sobre o lançamento de “Gwyn And Grace”, fica a sensação que estão a entrar numa nova fase. É apenas um amadurecimento natural ou uma confiança renovada na música?

Nós não tínhamos qualquer direcção intencional, simplesmente nos juntámos e tentámos gravar as canções que tínhamos composto. Esse processo resulta sempre de forma diferente, por isso geralmente não sabemos muito bem o que esperar.

A nostalgia tem sido sempre parte integrante do som dos SSLYBY. É inspiradora?

Apenas imperdoavelmente inevitável.

Que mais há que vos compele a compor? Liricamente, há o tema evidente do amor/desgosto amoroso mas também a chamada às armas sobre a mudança de consciências. Estarei a interpretar correctamente?

Na verdade não sei o que significam as letras em 8 das 10 canções. Embora haja uma canção sobre costura.

Para onde vos leva esta mudança de consciências enquanto banda? Agora que já tocaram na Rússia, já pensaram no vosso próximo objectivo?

A paz de espírito.