Son Little - Things I Forgot
75%Overall Score

Son Little é tão somente Aaron Livingston… mas ser Aaron Livingston é pertencer a um conceito bastante complexo (cantor, instrumentalista e songwritter) onde Son Little é apenas uma das faces visíveis. O californiano que mistura blues acústico com soul vintage e pelo meio ainda lhe coloca uma pitada de hip-hop, é mais conhecido pelas suas colaborações com bandas de grande alcance como os The Roots (é a voz do tema “Sleep” do álbum Undun de 2011) ou artistas alternativos como RJD2 (o projeto designava-se Icebird). Pelo meio, havia o digital e foi por aqui que Livingston decidiu divulgar o seu trabalho, logo com um arrojo de todo o tamanho para quem é tão pouco conhecido do público, lançando um greatest hits, Aaron Livingston’s Greatest Hits, Vol. 1. Sem se cansar de ser Aaron, em 2013 passou a criar sob o epíteto Son Little e é assim que chegamos ao seu primeiro EP de seis temas, Things I Forgot, uma aposta que a ANTI- Records lançou no final de 2014.

Primeira conclusão a retirar: o homem não se esqueceu do que ouviu de bom até hoje e a sua música é uma homenagem à rica e pesada herança musical que carrega e às inúmeras colaborações com que já conta no currículo. Não complica, deixa fluir tudo o que quer passar cá para fora e o facto de ter apenas seis oportunidades para mostrar o que vale – os seis temas do EP – não existe ansiedade e tudo é transmitido com a tranquilidade um veterano, de alguém que sabe que terá tantas outras oportunidades para o fazer. Honesto e despretensioso. Nada se precipita em Things I Forgot: tudo flui e é por isso que o resultado tem tanto de interessante como de integrante.

O assalto de Son Little inicia-se com o banho de blues de “The River”, uma entrada com o cheirinho do Alabama e uma espécie de convite para um mergulho noturno no Mississipi: “Now walk me to the river darlin / Rock me in the river darlin”, clama Son Little. Em “Your Love Will Blow Me Away When My Heart Aches”, Son Little apresenta uma faceta mais introspectiva e melancólica, e é aqui que percebemos que o californiano não se bate apenas em boas letras e composições excepcionais: também tem uma voz sublime que se estende a toda a prova logo ao segundo tema. No entanto, é em “Cross My Heart” que se percebe que estamos perante um artista de mão cheia; continua-se a falar de dor e talvez de referências musicais: “Tom and Bobby / They gone / They don’t live here long / But i’m still knocking”. Estará Son Little a bater à porta de Bob Marley? Só ele pode confirmar! “Alice” é a primeira referência feminina no EP e Son Little trata-a com todo o carinho, mima-a e proporciona-lhe um arranjo que só um grande instrumentista pode conferir à sua obra: “Aw girl / Have no fear / I want you to look at this for real”. “Joy” fecha os originais deste EP e por um momento parece que estamos num álbum de Aloe Blacc, com tudo o que bom essa semelhança possa trazer: “My joy, my joy / Oh lovely one / Where have you gone?”, questiona Son Little antes do velho parceiro do projecto Icebird, RJD2, entrar com um remix Marleyano de “Cross My Heart”, que pouco acrescenta ao tema.

Esta transição de Son Little do digital para o primeiro EP é promissora e, com esta qualidade, é mais que certo que esta faceta de Aaron Livingston corre o risco de se tornar muito mais do que isso.