Um português, um argentino, um brasileiro e um chileno entraram na Universidade de Berklee, em Boston, e… formaram uma banda. Em 2011, Pedro Zappa trocou a Póvoa de Varzim e a música clássica pelo hard rock. Stone Giant é um grupo a tentar replicar nos Estados Unidos a afirmação lograda na América Latina. Aos 27 anos, “Zappa” – alcunha motivada pelo fascínio por Frank Zappa –, já pisou com os colegas o mesmo palco que os Tame Impala, passou pelo festival Lollapalooza, tem o contacto do vocalista dos Eagles of Death Metal no telemóvel e tocou num concerto de homenagem a Jimmy Page. Pode parecer a descrição do autêntico american dream, mas a caminhada de Pedro é feita de muito trabalho, persistência e, sobretudo, suor.

Aos quatro anos, teve contacto com o primeiro instrumento. ”Vi duas meninas. Uma a tocar violino e outra a tocar violoncelo na escola de música. Disse à minha mãe: ‘quero tocar o grande’”, recorda Pedro, entre risos, em entrevista à Tracker. A paixão pelo baixo elétrico surgiu aos 15, mas nunca conseguiu formar uma banda, apesar de ter integrado projetos como os Psycho Blonde e Um Zero Amarelo (com músicos dos Clã e dos Mão Morta).

A 26 de janeiro de 2011 viaja até Madrid e realiza uma audição para entrar na Universidade de Berklee, com o objetivo de estudar música. “Fui a ver no que dava. Depois chegou o resultado e a bolsa”, conta Pedro Zappa, que então iniciou a sua aventura nas terras do Tio Sam. “A Berklee é o sítio perfeito para encontrar gente para tocar. Vale mais pelos colegas do que até pelas aulas e os professores. Numa área criativa há coisas que não se ensinam, temos de as viver”, explica o baixista.

Sangue latino numa banda de gigantes de pedra

Foi na universidade que Pedro conheceu o teclista brasileiro João Nogueira e o guitarrista e vocalista argentino Sebastian Fernandez. Estava composto o núcleo duro dos Stone Giant, a quem se juntou em 2013 o baterista chileno Pepe Hidalgo.

Mas como se tornaram quatro jovens com sangue latino em “gigantes de pedra”? “O João foi ver o primeiro filme do ‘Hobbit’. A dado momento do filme, ele ouve falar em ‘stone giants’ e envia-nos imediatamente mensagem a dizer que tinha encontrado nome para a banda”, conta Pedro. “Curtimos a onda de fantasia. Somos um bocado geeks”, confessa o músico, que em jeito de brincadeira diz falar com os colegas num idioma próprio. “Nós dizemos que falamos em ‘stonegiantês’”, uma mescla de português, castelhano e inglês, explica.

Quando lhe pedimos uma definição para o som da banda, “rock with balls” é a resposta do baixista. “Não é rock vegan e sem energia. Queremos recuperar aqueles riffs pesados e a pancada do rock”, assegura.

Tocar para Jimmy Page, o álbum e os elogios de Jesse Hughes

O ano de 2014 foi determinante no percurso da banda. A 10 de maio, na Universidade de Berklee, participam num concerto de homenagem ao lendário guitarrista dos “Led Zeppelin” Jimmy Page, no qual tocam a música “The Ocean”. Em novembro a banda viaja para Hoboken, Nova Jérsia, e permanece durante duas semanas no estúdio Water Music para gravar o álbum de estreia e homónimo, no qual se encontram músicas como “Wizard” ou “Nazgul”, também elas remanescentes do universo fantástico da Terra Média.

Em setembro de 2015 iniciam uma tour pelos Estados Unidos. Ao longo de um mês e meio de digressão, passam por Washington, Nashville, Pensilvânia, Boston ou Nova Iorque. “Estar na estrada dá cabo de ti. Eu tinha apenas a minha mochila e o meu baixo”, lembra Pedro, que ainda hoje traz bem presente um momento insólito que ocorreu num dos concertos de apresentação do álbum.

“Houve um concerto, no bar The Middle East Downstairs, em Boston, em que alguém levou uma galinha, que fazia um som muito maligno. Na parte final da “Nazgul”, o João fica a tocar sozinho no piano, e a galinha vem parar ao palco, para o pé de mim. Eu agarro nela, aproximo-me do microfone e de repente só se ouve um cacarejar muito creepy em toda a sala”, recorda de forma bem-humorada.

O ano passado foi outro que Pedro Zappa e os Stone Giant não irão esquecer. Em março, tiveram a oportunidade de tocar no festival Lollapalooza, que os levou até ao Chile e à Argentina. Nesses países a repercussão foi grande, o interesse mediático também e o público rendeu-se. “Tínhamos o público a cantar as nossas músicas, a fazer möshes, pessoas a passar por nós antes do concerto e a dizerem que não acreditavam que nos estavam a ver”, conta Pedro, também ele incrédulo ainda hoje com tudo aquilo.

Durante o espetáculo na Argentina, outro momento improvável acontece. “Estávamos a falar para uma rádio e o Jesse Hughes, vocalista dos Eagles of Death Metal juntou-se à entrevista, a dizer que nós éramos a ‘cena’. Adorou-nos. Ainda hoje tenho o número dele no telemóvel”, assegura o músico português com o fascínio de um fã.

Para este ano os objetivos são vários, até porque a atividade de Pedro Zappa não se resume apenas à banda. “Os Stone Giant são apenas a ponta do icebergue daquilo que eu faço”, frisa o baixista que colabora também com diversos músicos, arranja tempo para tocar em casamentos e dessa forma “desenrascar uns dólares”, sem descurar nunca o seu projeto a solo intitulado Flabergast.

Dar um concerto em Portugal é um “sonho” e a banda gostava de fazer uma digressão europeia já em 2017, mas, até esse momento chegar, a afirmação nos Estados Unidos continua a ser a principal missão… “e depois Marte”, atira Pedro.

Conheçam mais sobre o Pedro no seu website.