Sufjan Stevens teve um 2017 particularmente acelerado em termos de novos projectos e lançamentos, e isto sem ter editado qualquer registo de estúdio que herdasse o lugar ocupado por Carrie & Lowell, o último álbum da discografia do norte-americano que data já de 2015. Lançou-se em explorações pelo espaço através das viagens cósmicas e digitais de um Planetarium que partilhou com Bryce Dessner dos The National, editou a mixtape The Greatest Gift — Outtakes, Remixes, & Demos from Carrie & Lowell, e ainda teve tempo para compor as canções Mystery Of Love e Call My By Your Name para a banda-sonora do filme com o mesmo nome da segunda – para além de ter andado a fazer algumas brincadeiras em formato vídeo com o seu iPhone.

A história deste ano não acaba, no entanto, sem mais uma música nova, que apesar de aparentemente não fazer parte de nenhuma banda-sonora, está relacionada com o lançamento de um filme. “Tony Harding”, tema inspirado na vida da ex-patinadora, penetra numa fina malha de synths suaves e expansivos que se estendem por harpas, pianos e uma miríade de detalhes electrónicos delicados. A canção vem acompanhada de um texto escrito pelo próprio Sufjan e foi, de acordo com a Pitchfork, oferecida ao realizador do filme biográfico I, Tonya – com estreia marcada para dia 8 de Dezembro, nos Estados Unidos -, que decidiu não a incluir na película.

Tony Harding viu-se implicada num ataque a Nancy Kerrigan, sua colega de equipa, que visava impedir a sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994, em Lillehammer, na Noruega. Alegadamente, o marido de Tonya e o seu guarda-costas, tentaram magoar Kerrigan numa perna, o que acabou por acontecer, forçando-a a retirar-se da competição. Não evitando o circo mediático que se formou em volta do incidente, Tonya acabou por cair em desgraça aos olhos do público, depois de admitir o seu envolvimento e ser consequentemente obrigada a abandonar a Associação de Patinagem Artística, terminando assim e de forma inglória a sua carreira.

Sobre as motivações para a composição do tema, um desejo antigo do músico, Sufjan Stevens confessa:

Tonya Harding’s dramatic rise and fall was fiercely followed by the media, and she very quickly became the brunt of jokes, the subject of tabloid headlines and public outcry. She was a reality TV star before such a thing even existed. But she was also simply un-categorical: American’s sweetheart with a dark twist. But I believe this is what made her so interesting, and a true American hero.

In the face of outrage and defeat, Tonya bolstered shameless resolve and succeeded again and again with all manners of re-invention and self-determination. Tonya shines bright in the pantheon of American history simply because she never stopped trying her hardest. She fought classism, sexism, physical abuse and public rebuke to become an incomparable American legend.

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