As listas de “melhores do ano” são sempre muito subjectivas: um álbum pode ser visto como algo de extraordinário para uns, enquanto que para outros é algo de banal. Mas quando há inúmeras revistas a referenciar os mesmos discos nas suas publicações de fim de ano, quer-nos parecer que estamos perante algo de especial e que merece ser ouvido. Kendrick Lamar, Sufjan Stevens, Jamie xx, Grimes ou Tame Impala foram das presenças mais assíduas nas listas de 2015. Há algo que quase todos estes artistas têm em comum, e é a sua presença em festivais portugueses para 2016. Excepto um: Sufjan Stevens.

Foram três as ocasiões em que o público português teve o privilégio de assistir a um concerto do artista: na sua estreia em Portugal no Cine-Teatro António Lamoso em Santa Maria da Feira (2004) e para dois concertos integrantes da Age of Adz Tour, nos Coliseus de Lisboa e do Porto (2011). Aqueles que marcaram presença numa destas actuações, falam de um concerto que os marcou para sempre, um dos melhores a que já assistiram – é impossível ficar indiferente à chuva de balões em “Chicago” – e uma experiência a repetir. Frisa-se a forma como as músicas ganham uma nova ‘vida’ quando tocadas ao vivo. Tantos elogios despertam a atenção de qualquer um para com os concertos de Sufjan Stevens, mas a verdade é que se caminha para um jejum de cinco anos sem o termos por terras lusitanas.

Cinco foram também os anos que separam The Ade of Adz do mais recente Carrie & Lowell. Muitos são aqueles que sonham em conhecer os seus artistas favoritos. Em Carrie & Lowell, Sufjan Stevens cumpre esse sonho ao contar diversas histórias da sua infância; a infância de cada um de nós é dos momentos mais pessoais e acarinhados no trajeto das nossas vidas, o que faz com que este seja o álbum mais pessoal de Sufjan até à data: desde uma conversa com a sua mãe, Carrie, na cama de um hospital em “Fourth of July”, o período de aceitação da morte da mesma em “Should Have Known Better” ou até de um professor de natação que não conseguia dizer o nome de Sufjan em “Eugene”. Para acompanhar este álbum tão pessoal, o artista recorre ao uso de entre dois a quatro instrumentos por canção, relembrando o registo folk do seu quarto álbum Seven Swans, embora mais aperfeiçoado. Através deles, Sufjan consegue criar instrumentais que não só complementam as letras das canções, como consegue criar uma harmonia perfeita entre elas. A junção destes elementos faz com que seja, provavelmente, o seu melhor disco.

Com novo álbum na bagagem, seria de esperar que o regresso para Portugal estivesse para breve mas esta tarefa parece estar difícil de se realizar. De forma a enquadrar-se no novo trabalho do americano, a Carrie & Lowell Tour tem sido realizada exclusivamente em salas fechadas, carimbando, à partida, um ‘não’ relativamente a actuações em festivais, com a possível excepção do Super Bock Super Rock que desde o ano passado se realiza no Parque das Nações (para não dizer que a presença dos amigos The National no cartaz, seria um bom argumento para o convencer a voltar a Portugal). Mas acontece que no passado mês de janeiro, o Coachella anunciou o seu cartaz e para surpresa de alguns, Sufjan Stevens integra-o, mesmo tratando-se de um festival ao ar livre. Como LCD Soundsytem vão marcar presença tanto no Coachella como no Vodafone Paredes de Coura, cresce a esperança de ver Sufjan Stevens pelos lado do rio Taboão.

Mas no final do dia, quais são os motivos por trás do desejo de voltar a (re)ver Sufjan Stevens? Com um total de sete aclamados discos na sua carreira – todos eles de diferentes estilos, como electrónica ou folk, fruto dos variados instrumentos que o artista toca e tenta incorporar em cada um dos seus álbuns -, não falta material para o artista apresentar em Portugal, especialmente nesta nova tour em que todos os álbuns estão a ser revistos e há, pelo menos, havendo sempre surpresas nas setlists de cada concerto. Surpresa é também um dos adjetivos que melhoram caracterizam o trabalho de Sufjan Stevens: o multi-instrumentista reinventa-se em cada um dos seus trabalhos, havendo sempre uma constante inovação mas nunca perdendo a qualidade com que nos habituado, contribuindo então para uma enorme legião de fãs. E é esta mesma legião que faz um apelo às promotoras portuguesas: tragam Sufjan Stevens a Portugal.