Muito se esperou pelo momento em que se anunciaria a estreia discográfica da menina de sorriso aberto e fácil e que tardava em chegar. Se Surma é já nome incomensurável nas paisagens mais alternativas da presente geração de artistas lusitanos com a sua já habitual presença doce e frágil que se agiganta perante a criação de uma electrónica saturada de fragmentos cinematográficos e disposta em camadas de deliciosos detalhes, as linhas do tempo demoraram a entregar aquela que se comprovaria como a primeira impressão digital em formato álbum de Surma na lista de lançamentos oficiais.

Depois de dois anos a calcorrear o país e a levar as atmosferas fabricados na delicada filigrana sonora dos seus sintetizadores, a menina de Leiria anuncia a edição de Antwerpen, o seu registo de estreia, que chegará em Outubro com a insígnia Omnichord Records pelas mesmas alturas dos primeiros ventos outonais. Uma nova colecção de temas que deixará de fora as fórmulas entretanto consumidas pelo pó de estrada e abrirá espaço a intrincadas teias de átomos electrónicos num novo capítulo que se estende na carreira de Débora Umbelino. Se já a apanharam na estrada esqueçam tudo o que ouviram porque Antwerpen será em pleno um disco de originais totalmente por revelar.

Surma chega assim a junho de 2017 sob o brilho contido nos balões de hélio que pairam sobre “Hemma”, o tema de avanço para o novo disco. Desmedidamente expressiva tanto no som, que se espraia por tonalidades pejadas de cristais sonoros, como no respectivo vídeo que o acompanha, “Hemma” augura um futuro auspicioso para um nome que traz uma extensa familiaridade nos botões e na voz como se conseguisse trazer a esfera etérea para um registo quase orgânico e natural.