Sweet Gum Tree - The Snakes You Charm & The Wolves You Tame
85%Overall Score

Este é um daqueles discos. Um daqueles discos que ganham à primeira um lugar na zona dos discos especiais. Primeiro, é o piano. Depois, a voz de crooner e os violinos que chegam devagar. Enches o copo de Porto e sentas-te à janela. Lá em baixo, uma cidade grande de luzes que brilham na noite acabada de cair. E a cabeça voa para outros sítios e tempos. Por momentos, quase que se espera que uma mulher entre na sala vestida de colares de pérolas e se sente a teu lado à espera que a convides para dançar.

Um sentido quase cinematográfico preenche as canções de Arno Sojo, compositor francês que aqui, enquanto Sweet Gum Tree, cria um disco de baladas adultas chamber-pop pintadas de jazz que nos remete aos universos vintage dos Divine Comedy, mas sem o sentido de humor tão característico, tanto no som como nas palavras, de Neil Hannon. Liricamente, The Snakes You Charm & Wolves You Tame é uma espécie de observatório da habitual temática dos amores, sentimentos e relações aos olhos de um poeta melancólico e doce. Canções como “The Crimson Flush”, “Astray” ou “November Daughter” são pedaços de luxúria romântica em jardins a preto e branco, de uma elegância em desuso no século XXI. Facilmente nos vêm à memória Julianne Moore e Ralph Fiennes em The End Of The Affair ou qualquer outro casal anos 40. Não é de estranhar a presença de nomes como Earl Harvin dos Tindersticks, Marty Willson-Piper dos The Church ou Isobel Campbell, que dá voz a um dos momentos mais bonitos do disco em “Bird Of Passage”. Sweet Gum Tree segue exactamente nos mesmos caminhos de todos os projectos dos seus convidados: música com classe e magia dreamy, com a intensidade de sons adultos e seguros.

The Snakes You Charm & Wolves You Tame é um disco de e para cavalheiros fora do tempo. Um exercício de classe e romantismo em formato de canção.