Como qualquer escandinavo típico, o sueco The Tallest Man On Earth Kristian Matsson (já confirmado no Paredes de Coura) é um sujeito ponderado, que costuma reflectir sobre a realidade dele. E que escreve muitas canções sobre as conclusões e epifanias das próprias reflexões. E quando não consegue escrever a partir da próprias reflexões, o que faz The Tallest Man On Earth? Logicamente, reflecte sobre não conseguir escrever (e compor)! E onde se pode ouvir ele dizer aquilo? Desde ontem, na curta-metragem sobre a produção do último álbum, o muito elogiado Dark Bird Is Home.
Rodado por Dan Huiting (direcção) e Lauren Josephine (edição), que cooperaram na cinematografia, esse visualmente sumptuoso – o lago e o rio na floresta escandinava… – making of de oito minutos e meio foi filmado no último Verão, numa casa de Matsson na Suécia rural, que é também estúdio de gravação. E naquele surrealista cenário, sob céus fluindo entre os limpos e os nublados, o baixo Kristian que é o grandioso Tallest não só toca e canta (com sua voz nasalada ‘herdeira’ do Bob Dylan ainda jovem), como narra literatura em Sueco e é filmado informalmente, caminhando, brincando com a bicharada, nadando, pescando e remando num pequeno bote, enquanto revela francamente os contextos artístico e emocional que inspiraram Dark Bird Is Home.

Contextos cujos atributos têm que ouvir nesse honesto e intimista making of – porque não somos uns ‘spoilers’ (imaginar inocentes caras de anjo aqui) -, se o faustoso cenário ‘lapónico’ não tinha já convencido a relaxarem vendo o curto filme, numa pausa para café ou chá ou chocolate ou qualquer bebida que aqueça corpos arrefecidos pelo resiliente Inverno deste ano. E repitam com Kristian o optimista mantra Isto não é o fim, isto é bom!