Não foram as melhores notícias aquelas que nos trouxe, desta vez, o rapaz do jornal que habita nas paisagens idílicas da Nova Zelândia. Uma pausa para reencontrar o caminho, tempo para pensar no rumo, uma redescoberta ou um tão merecido descanso. Em entrevista à revista neo-zelandesa The Paperboy, os Tame Impala anunciaram que irão parar por tempo indeterminado de forma a recuperar o fôlego que manteve a chama da banda acesa durante incontáveis meses na estrada e durante os inúmeros concertos que levaram o psicadelismo dreamy dos australianos a todos os cantos do mundo no decorrer dos últimos anos.

O Laneway Festival – evento que terá lugar em várias cidades australianas, em Auckland na Nova Zelândia e também em Singapura no início de 2017 em pleno Verão no hemisfério sul contará, entre outros, com Nick Murphy (FKA Chet Faker), Car Seat Headrest e Glass Animals -, poderá muito bem ser assim uma das últimas oportunidades de ver a banda de Kevin Parker ao vivo durante algum tempo, naquele que assinalará um dos pontos finais de uma digressão que levou Currents de 2015, o álbum que transformou a banda num fenómeno à escala global, a todas as esferas do planeta. Como nos confessa Parker,

I really don’t know how that’s going to feel because in the past, the album cycles haven’t really ended with a bang, or even ended decidedly. They just sort of peter out. But this time it really is a bookend.

I’m glad it’s happening at Laneway. There will be tears and cheers, and emotions will be running high. I think it’ll be quite weird, but not without a sense of accomplishment.

Soa a despedida, mas será, certamente, o fim da banda, como nos assegura. Sobre os temas, agora imortais, a que Parker deu vida, diz-nos:

When you first finish an album, they [the songs] sound like anything but a song really – they sound like a combination of melodies and words and ideas and structures and chords. It’s hard to appreciate a song for what it is when you’re working on it. So a year later, it’s great to be able to come back to it and almost hear it like it’s someone else’s song, and I really enjoy that. I enjoy hearing them in a new context I hadn’t really considered at the time… like looking at old photos of yourself. It’s very enlightening.

E sobre Currents, acrescenta,

This album was a real door-opener for me. It’s funny, but I kind of knew it would be, just because of the way I was making songs, the way I was producing it. I sort of sensed that it wouldn’t just be an album that came and went. I had a feeling that it would take me other places.

O futuro faz-se de sonhos, de trabalho e, com Kevin Parker, também de tinta,

What comes next is still very much a blank canvas. But a blank canvas in a good way – I’ve got all the paint!

Cá estaremos, certamente, para os recebermos de novo de volta e voltar a momentos como este.