Teleman - Breakfast
75%Overall Score

Gosto tanto quando a simplicidade da pop ultrapassa o sentido simplista do termo. Sem pretensões a nada mais do que ser uma banda e escrever um conjunto de canções com a inocência dos tempos de escola. Juntar as canções das bandas preferidas e tentar esconder as influências, tarefa normalmente inglória, e pensar que podemos ser a próxima grande cena nas capas dos jornais. E podemos, no nosso quarto, claro que podemos. Na garagem ou na sala de ensaios podemos, claro que podemos. E é este o grande trunfo do disco de estreia dos Teleman, banda dos irmãos Sanders, nascida das cinzas da curta existência dos Pete & The Pirates. É isto que faz desta estreia uma deliciosa aposta para manhãs de sol. Canções de pequeno-almoço?! Talvez mais que isso, bastante mais que isso, mas disfarçadas de uma leveza sonora e de uma candura instrumental anti-corações empedernidos.

Sem impor grandes barreiras, mas sem sufocar as canções em padrões estilísticos e dogmas sonoros de ordem estética, os Teleman passeiam-se com toda a tranquilidade por uma infinidade de estilos sempre tão bem vestidos de pop, simplesmente pop. Desde os primeiros momentos de “Cristina” se percebe que existe uma linha condutora que os vai separar dos tempos indie rock dos P&TP. A electrónica como espinha dorsal das músicas. Os sintetizadores desenham as ambiências e pintam as cores principais de praticamente todo o disco. Batidas sintéticas minimalistas perfumadas de 8-bit, remetem-nos em vários momentos aos Metronomy, mas as guitarras britpop não deixam enganar: aqui ainda vive a antiga Britânia. Aposta-se em “culpar” a produção de excelência de Brett Anderson. Sim, sim, o ex-Suede.

“Steam Train Girl”, “Skeleton Dance” e “Travel Song” são exemplos descarados do equilibrismo na travessia do fio das guitarras e os teclados espaciais e psicadélicos. Entramos em terrenos quase MGMTianos para ir desaguar em territórios habitados por clones de The Beatles ou Flaming Lips nas melhores canções do disco, “23 Floors Up” e “Lady Low”, este um delírio entre guitarras acústicas e paisagens marcianas à lupa de muitos ácidos. Breakfast é 80’s synthpop, é psicadelismo sessentista, é britpop descarado, mas descaradamente futurista e espacial, é Kraftwerk Maximo Park. É um disco do caraças, é o que é! Parece fácil, não é?! Parece fácil!!!