Estranharíamos, porventura, que da Roménia nos fosse chegar o melhor surf pop ou afro beat do momento, fôssemos nós pessoas de nos deixar tentar pelas migalhas ociosas da previsibilidade (que não somos). Talvez fosse suficiente o pedaço oriental de costa que o país se deixa banhar para nos tentar demover desse caminho e nos convencer que ali poderia desabrochar algo de índole mais soalheira. Uns Vampire Weekend ou uns New Navy do leste, quiçá, não fosse também ela, a costa, situar-se nas margens de um Mar que dá pelo nome de… Negro.

Teorias académicas, geografias, mas não negritudes à parte, os Temple Invisible, que se não surpreendem pela forma o fazem pelo conteúdo, dão às teclas espiraladas dos seus sintetizadores contornos embaciados, turvos e foscos de tons sombrios que se esvaem languidamente ao longo dos seus minutos de existência em… negro.

Com o EP de estreia prestes a ser lançado, o trio proveniente de Bucareste revela agora o seu segundo single “Collide” em sequência do anterior “Disappearance” lançado em Maio último. Um vasto mundo lacrado numa electrónica plena em electro-beats, synth goth e trip hop, imperturbada e imperturbável, sinistra mas complacente, na qual se segredam histórias eremíticas pouco herméticas e que numa playlist temática se aninharia confortavelmente entre um “It’s No Good” dos Depeche Mode e um “Very Cruel” de Poliça. Perfeita como catalisadora de sons de chicote estridentes em cenários cobertos de látex em masmorras entenebrecidas onde se inala a humidade das paredes de pedra e de jaulas nebulosas de cariz metafísico e se respira a densa opacidade da… negrura.

Enter_ sai a dia 15 de Dezembro e promete!

rosana rocha sig

 

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