Quando o jazz esbarra de frente com uma pop teatralizada e com o drama adequado ao art rock algo assim surge. Da inexplicabilidade e da indefinição que engole círculos e movimentos artísticos nascem constelações tão abertas como a eternidade e mutabilidade da alma de uma sala de teatro. Se ouves Diamanda Galas também ouves St. Vincent ou Anna Calvi mas, se ouves Rashied Ali, ouves ao mesmo tempo que os momentos de cacofonia dos Morphine ou os ataques ásperos do post-punk de Lydia Lunch e todos eles tomam conta do mundo de Juliet E. Gordon e do baterista free jazz Britt Ciampa, os rostos por trás dos The Classical.

No início de Dezembro de 2014, um ano depois de se mudarem para San Francisco, lançam Diptych, disco de estreia do duo, através do Bandcamp. Com um mês de vida um pouco por todo o lado Diptych era já considerado como uma das melhores surpresas e um dos discos mais importantes de 2014 saídos de Bay Area. Nem um ano depois Diptych é recuperado pela californiana Time Sensitive Materials – especializada em ambient, neo-clássica e electrónica, abrindo pela primeira vez a porta à estrutura mais tradicional da canção – e o disco recebe em Julho a mais que merecida edição física em formato limitado, luxuoso e meticulosamente feita à mão.

Diptych foi gravado inteiramente por Britt e Juliet e misturado pela visão descontructiva de Jay Pellicci (Deerhoof, Sleater-Kinney).

alec peterson sig