No crepúsculo de uma noite que vai descendo como uma névoa, lenta e fina, dançada por uma brisa de mil formas, habita uma inocência que escurece à passagem do tempo. Nas “Houses” dos britânicos The Duke Spirit baloiçam cadências angelicais e tensas que espelham uma negritude melancólica e impiedosa projectada em baterias hipnóticas e acordes de guitarras vintage, com algum ambiente desenhado a teclas meigas e tímidas. Longe das guitarras nervosas e do punk de arestas rugosas do disco de estreia de Cuts Across The Land de 2004, o último single extraído de Sky Is Mine – o novo registo discográfico da banda de Liela Moss editado há poucos dias -, carrega uma nova dimensão e representa uma faceta mais macia embora imensamente negra no percurso dos The Duke Spirit.

Mas não se pense que o embrulho sonoro suavizado e com alguns vislumbres psicadélicos abafados por túneis de ecos e reverbação do novo disco traga por arrasto um elemento lírico igualmente brando. Sobre o álbum, Moss confessa:

Sonically, it’s the most tender record we have made, the expansiveness will lift hearts but the rawness will burn through greedy fingers.

O vídeo para o tema agora lançado, resgata justamente o universo retro já facilmente fantasiável na canção, com imagens maioritariamente monocromáticas de diversas pistas de dança, em diversos contextos de vida, em diversos mundos e cenários durante uma década longínqua, que se presume encrustada algures nos anos 60 a dar movimento a uma sonoridade que simula nos ouvidos flashes do passado com um revestimento contemporâneo.

Sky Is Mine é o quinto longa-duração dos The Duke Spirit, foi editado a 18 de agosto na Ex Voto Records e sucede ao anterior KIN de 2016.