Brandon Flowers foi-se assemelhando, ao longo do rodar dos ponteiros do tempo, a um verdadeiro ícone dos tempos modernos, amadurecendo enquanto frontman carismático que sempre foi. Avançando gradualmente em termos visuais, e no decorrer da sua faceta de artista estampada em canções, discos e apresentações ao vivo, rumo a um conjunto de características que tornaram seres humanos, anónimos aos olhos do público, em verdadeiras estrelas à escala global, Flowers penetra agora também no mesmo tecido sonoro que fez de David Byrne ou Bowie figuras de topo de uma esfera da vida que nos sonorizaram a existência e marcaram a história.

Com disco novo na calha para tomar o lugar de Battle Born – o disco de 2012 -, e depois de há poucos dias terem levantado o véu sobre “The Calling”, mais um tema do seu alinhamento em palco, durante a digressão que os levou ao Reino Unido, os The Killers parecem continuar a enveredar pelos sinuosos e versáteis caminhos de som retro, nunca renegando à sonoridade que os tornaram um dos colectivos mais emblemáticas do século XXI apesar da, pode-se dizer, parca produção discográfica tendo em conta as milhas de carreira que já levam na sola dos seus dancing shoes. “The Man”, o primeiro single, introduzia em Wonderful Wonderful uma condição disco-funk espelhada intensamente nas pistas cintilantes nos clubes nocturnos dos anos 70 e trazia para o quinto registo de estúdio aproximações sonoras à produção camaleónica de uma das referências incontornáveis do mundo da música – David Bowie.

Não surpreende, por isso, que os The Killers tenham escolhido uma das canções mais reconhecíveis do britânico falecido em 2016 para anexar à apresentação ao vivo precisamente de “The Man” para a série In The Live Lounge da BBC1. “Fame” confunde-se assim com “The Man” e “The Man” confunde-se com “Fame”, o que também será aplicável à vida de Brandon Flowers. Duas canções, uma ambiência homogénea, como se ambas pertencessem ao mesmo cancioneiro de dois homens – um com uma marca indelével deixada em várias gerações, e outro que para lá caminha -, rematadas por “Mr. Brightside”, o tema de estreia dos norte-americanos do álbum Hot Fuss de 2004, corria e que continua a ser o seu hino maior.

Wonderful Wonderful será o quinto longa-duração dos rapazes de Las Vegas e sai dia 22 de setembro pela Island Records. Do disco já se conhecem “The Man“, “Run For Cover“, “Wonderful Wonderful” e agora “The Calling” em versão ao vivo.