Hoje e amanhã, Portugal prepara-se para receber o tornado dos The Men. A banda de Brooklyn, New York, vem com um novo disco na bagagem, Drift, que expõe um conjunto de canções mais sólido apresentando-se sem receio de abranger caminhos mais divergentes do seu registo base mais pesado, como já tinham feito em Tomorrow’s Hits de 2014 ou New Moon de 2013.

De facto, tagar esta banda acaba por ser uma tentativa um pouco vã. Apesar de uma clara essência punk presente ao longo de todo o seu vasto catálogo (para os dez anos de existência), o ecleticismo dos The Men é brilhante, seja no seu fulgor mais classic rock ou passando pela pop refrescante, o country baladeiro e até mesmo EPs acústicos. Fazendo uma viagem desde o lançamento de Barracuda em 2010 até ao seu quinto álbum, Tomorrow’s Hits, somos bombardeados com constantes curvas e contracurvas, uma corrente frutífera numa escala de tempo tão pequena.

Temos então no mais recente álbum um regresso a essa viagem tumultuosa, e tudo apenas num disco só. Após um registo mais lo-fi com Devil Music, lançado pela própria banda, o regresso à Sacred Bones Records parece que de certa forma aviva de novo a criatividade da banda. Drift oferece tensão sem resolução na faixa de abertura, “Maybe I’m Crazy”, para logo a seguir acalmar o estado do ouvinte com a balada “When I Held You In My Arms”. O álbum mantem esta sucessão de temas com registos sonoros divergentes, soando por vezes mais a uma playlist composta por um dos membro para o Spotify, do que a um álbum de uma banda. Mas, para o bem ou para o mal, esta sempre foi a oferta dos The Men, que provam não ter medo de explorar vários estilos na sua composição, deixando sempre os fãs com expectativas elevadas para cada lançamento.

Os concertos dos The Men a 30 e 31 de Maio no Musicbox em Lisboa (com Ryan Sambol, ex- The Strange Boys, na primeira parte) e no Maus Hábitos no Porto respectivamente, prometem muita energia e um amplo leque de canções. A setlist do espetáculo será um apetecível menu para os fãs de punk com espaço para outros registos. Thurston Moore lembra alguma coisa?