Os The Mirror Trap estão a dar os seus primeiros grandes passos, guiados que estão pela mão e amor dos Placebo, seus preceptores e protectores. O primeiro álbum, The Last Great Melodrama, foi editado em 2011, mas foi apenas no ano seguinte que o grupo suscitou interesse ao manager dos Placebo e, consequentemente, a Brian Molko. Nasceu, assim, uma oportunidade maravilhosa e imperdível para os rapazes dos The Mirror Trap após o lançamento do seu segundo álbum, Stay Young, já que foram convidados a participar no Festival iPhone em 2014 com os Placebo, tour na qual foram até à Rússia e, ainda em 2015, abrir para a banda de Brian Molko pelo Reino Unido.

Foi nesta altura que os The Mirror Trap propuseram a Scott Duffy para se juntar a eles nesta digressão, ajudando na percussão e na voz. Este voto de confiança fez com que o grupo ganhasse fôlego para a sua grande aventura do mundo da música! E eis que viram sua popularidade aumentar, tendo oportunidade de mostrar de que fibra são feitos.

Os The Mirror Trap são formados por Gary Moore, como vocalista, Michael McFarlane e Paul Markie na guitarra, Paul Reilly na arte da percussão e ainda Ben Doherty no baixo. Recentemente, a prodigiosa banda vai lançar um novo álbum, a 16 de Julho deste ano, tendo este como nome Simulations, e promete contagiar os ouvidos de todos com as suas guitarradas e charme rock n’rollO álbum nasceu em campos asiáticos, na Tailândia, no Karma Studios, onde outrora, outras bandas como os The Libertines, Young Guns e Enter Shikari também gravaram os seus rebentos.

Simulations integra dez faixas verdadeiramente bombásticas, recheadas de jogos de palavras irreverentes e certeiras relativamente ao mundo e aos dias de hoje num estilo muito próprio onde sobressai um modern-rock delicioso de nos fazer agitar a cabeça, os pés, a mente, o corpo: tudo se movimenta depois de ouvirmos cada faixa deste álbum! O início do disco é especialmente estrondoso e acutilante, deixando-nos intoxicados logo com o riff de guitarra introdutório, plus uma drums tremenda! “Under The Glass Towers” dá as honras da casa, faixa que ilustra um grito de guerra sobre as desigualdades sociais de hoje em dia. Confessa-nos a banda:

Under The Glass Towers is a song about financial inequality, about a world where the vast majority of people have to work themselves to death merely to survive while a small minority, the 1% as they have been labeled, hide out in untouchable “Glass Towers” hoarding wealth and resources.

Todo o álbum levanta temas bastante actuais, problemas cruciais na sociedade em que vivemos, o fosso cada vez maior, um poço que não cessa de cavar mais fundo. Gary Moore fala-nos da cegueira de todos nós perante telemóveis e as novas tecnologias que nos comem vivos – como no tema “New Trance”, sendo mesmo um novo trance. Um trance de iPhones, iPads, facebooks, instagrams, redes sociais e exibições baratas de vidas:

I get scared that we are becoming a generation that will never achieve all the great things we are capable of because we are too lost in technology”

Moore dirige-se a nós, desabafando triste, profundamente triste, mas sobrevivendo, como todos nós, na realidade. Fala-nos do tempo que voa, fala-nos da identidade perdida, do automatismo de personalidades, das vulgaridades faladas no quotidiano – que se fazem passar pelo essencial de cada um -, Gary fala-nos ainda das injustiças sociais e da maldade no mundo, intrínseca ao ser humano. Este álbum é muito mais que uma mera compilação de temas, é um manifesto.

Em Maio deste ano, a banda lançou o seu vídeo clip, do tema “Piranhas”, realizado por Stuart Breadner, e é uma perfeita adaptação da história por detrás desta imensa música. “Piranhas” retrata o medo, a impotência, mas também uma vontade de mudar de rumo, contornando os caminhos gastos e sem sinalização, como revela Gary Moore:

The circling piranhas pulling at my flesh. This song is a scream of frustration and the starting point on a road to change.

Being given the seal of approval by Placebo is great way for any band to kickstart their career, but the power and passion behind The Mirror Trap’s music ranks them as special in their own right. Now is their time to seize the spotlight. – Gigwise

 

We’re up to our eyeballs, in half a million problems
Piranhas come calling and tear the flesh right off us.
I woke up this morning, with three bears in my porridge,
with no good news in paper, no let up in the weather.
I live for the weekend, a bowl to put my keys in,
I hide my desires, so you wont kick me out the gang.
“Piranhas” – The Mirror Trap

Simulations:

Under The Glass Towers
New Trance
No I.D.
Something About Forever
Piranhas
Joyride
Second Life
Muscle Memory
Elixir
Bleach Your Bones