Restam poucas dúvidas que a música pulsa forte nas veias da identidade irlandesa. Os The Riptide Movement, que na semana passada foram nomeados para um Meteor Choice Music Prize – a versão irlandesa dos Mercury Prize -, mostram-se empenhados em instigar a razão dessa máxima e em não deixar a cair o mito que não é por mãos alheias.

Da mesma estirpe a que pertencem os The Gaslight Anthem, Augustines e Frank Turner, e considerados por muitos os candidatos mais bem posicionados para reclamar a si essa herança após terem sido escolhidos como banda de suporte dos The Rolling Stones tanto em Hyde Park em 2013 como em Glastonbury em 2014, os irlandeses, que contam já com uma residência no The Islington, limam sagazmente as arestas de um rock&roll cuja essência reside na classe trabalhadora e abrem caminho para uma sonoridade serena mas revolucionária, como se de uma tempestade contida à espera do momento exacto para rebentar se tratasse. Uma canção que vai, certamente, arrancar abanos laterais de cabeça enquanto se repete infindavelmente o refrão, e um hino que ressoa a optimismo, como esclarece Mal Tuohy, vocalista e guitarrista da banda:

We’ve never, ever taken ‘no’ for an answer. If there’s something we want to do or achieve, we just sit down and say, ‘How are we going to make it happen?’ And it happens. I think that positivity and ‘If we all pull together…’ spirit comes through in our music too.

Após um longo trilho de singles nos tops e concertos esgotados no decorrer dos últimos 6 anos, o último single, este “All Works Out”, é lançado a 9 de Março e serve de antecipação a Getting Through, o longa-duração que será desvendado ao público lá mais para o Verão, e justifica cabalmente o motivo pelo qual se contra já no Top 10 irlandês. Peguem numa Guinness e desfrutem.

rosana rocha sig