Esta é a história da Cabeça de Alien. Andava à deriva. Pairava pelo cosmos. Um cosmos que ia desde um pequeno palco de madeira até aos seres que até ocupariam a maior massa do mesmo cosmos, quem sabe! Só e apática, procurava preencher-se, procurava algo mais. Ganhar, talvez, um corpo, até que numa quente noite de Setembro – como se lá em cima houvesse meses e estações além das espaciais -, se depara com os The Sunflowers, seres que continham em si um guia, o guia intergalático para encontrar o Cowboy Vermelho. “O que é isto, quem é o Cowboy Vermelho?”, questionou-se a Cabeça de Alien. E enquanto questionava, estremecia e sentia, simultâneamente, um acelerar no peito e um fervor no sangue. Estranhou, pois nem corpo tinha, mas alinhou o seu universo com o dos estranhos seres chamados The Sunflowers.

The Intergalatic Guide To Find The Red Cowboy era o nome oficial deste guia que cruzava o cosmos inteiro até ao Cowboy Vermelho. Na verdade, ninguém sabia muito bem o que era até que ela lá chegou. A Cabeça de Alien ouviu os primeiros sons, os primeiros crus acordes e batidas; chamavam-lhe “Cool Kid” e assim se abria a primeira página deste manual. Não era um guia comum, não se lia, não se seguiam passos. Alien deixava-se somente levar por este algo denominado de garage surfer rock e punk psicadélico mas não era, claramente, uma coisa qualquer. Esta coisa transcendia tudo. Intrigado estava o cosmos, repentinamente abalado. E iintrigada estava a Cabeça de Alien, repentinamente abalada. Nem questionou. Toda aquela paixão só poderia levar a algo maior e então flutuou pelo cosmos, numa turbulência atroz.

Vários capítulos compunham o guia, uns já tinham sido murmurados pelo cosmos ainda a Cabeça de Alien não existia. Ensinamentos rock antigos como o tempo, mas lidos nos futuro. A um deles chamavam-lhe, nada em segredo, de “Charlie Don’t Surf”. Trazia felicidade espontânea espalhada no peito, mas não era mais do que um eco de lendas do surf rock na sua tez mais pura. E, sozinho, na verdade de pouco servia: era apenas mais uma peça para chegarmos mais próximos do Cowboy Vermelho. Entretanto, a Cabeça de Alien começava a ganhar corpo, formando-se uma massa de energia de exaltação fruto da colisão intensa dos seres estranhos do cosmos na segunda etapa de nome “Witch” com os terrestres que seguiam esta peregrinação abrasiva, uma parte particularmente violenta, agitada e bruta, e do juntar de partículas à medida que o fervor avançava e estremecia todo o cosmos a meio. E assim, quase que do nada, a Cabeça de Alien era um Todo um Alien, o cosmos expandia-se a algo transcendente, um furor… aproximavam-se, claramente, do Cowboy Vermelho.

Era algo sentido não escrito, escuro e quente. Até que se chegou à parte que dava nome ao guia. “The Intergalatic Guide To Find The Red Cowboy” brotava euforia – tinha dentro de si partes que suspendiam o cosmos num transe melódico. O agora Todo um Alien exaltava-se e pairava entre os seres, quase que os empurrava, quase que se queria desprender. Sentia algo perto, algo tão perto, um culminar de tudo. Acelerava-se o bater no peito e girava o cosmos sobre si mesmo… “Now I Wanna Be Your Dog”, uma velha lenda deixada pelos The Stooges cravada em tábuas de vinil, ecoava. O Todo um Alien deixou o seu espaço, desprendeu-se de tudo, e soltou-se da massa de seres, juntou-se à lida do guia, assim como a própria massa de seres. O Uno das partes da parte do Uno, um moshpit universal. Parecia que já longe iam os tempos em que era só Cabeça, já longe ia o pairar no vácuo. O cosmos agora era cheio, era furor psicadélico, era decadência que iria fazer desabrochar qualquer coisa… O Cowboy Vermelho, o culminar de tudo, a ascensão magna do interior eufórico e efervescente da juventude numa noite do ZDB.

O Cowboy quem é? Não és tu? Entre o Todo e a Cabeça de um Alien na Terra? Não és tu, Sunflower?!

PS: Antes e numa primeira abordagem ao envolver dos sentidos, os terráqueos Moon Preachers deram um concerto sóbrio, envolvente sim, de forma técnica e melódica superior, fazendo jus ao garage psicadélico do Universo Crampsiano. O entorpecimento começou a com a ganhar corpo celeste com os 800 Gondomar, e passou por nós numa corrente de sons velozes e ferozes, alucinados com o ritmo, um cometa que enche o peito com murmúrios juvenis que remontam a uma década que nunca foi nossa. Rio Tinto é uma constelação grande de habitantes que agigantam o espaço onde o Cowboy Vermelho nos espera.

The Sunflowers @ ZDB

The Sunflowers @ ZDB

As imagens de Luís Custódio aqui:

The Sunflowers @ ZDB