Dark Bird Is Home, o quarto longa-duração do sueco The Tallest Man On Earth, é um verdadeiro hino à emancipação de quaisquer consciências de tempo, de lugar, ou até mesmo de aparelhos de gravação. Os temas e sons que lhe dão forma foram captados em diversos países, estúdios e celeiros e, por isso mesmo, carregam em si mesmos uma qualidade de som que parece ter sido não só polvilhada por partículas imperfeitas de poeira e grãos de areia, como também parece ter sofrido a lapidação e o desgaste do tempo.

Logo de íncio, e já na recta final do primeiro tema, descobrimos uma quantidade indeterminada de sons e vozes forasteiras à do próprio Kristian Matsson que acrescentam brilhantemente uma vivacidade extra a uma disposição de cores bastante familiar. E assim a história se desenrola e se expande, frequentemente nos tecidos ornados por trompas, pianos, teclados e sintetizadores. No seu disco mais pessoal, directo e até, por vezes, mais negro até à data, The Tallest Man On Earth propicia o engrandecimento de novos começos em melodias e arranjos clássicos e em letras simultaneamente alarmantes e reconfortantes.

Dark Bird Is Home vê a luz do dia a 12 de Maio pela Dead Oceans e, mesmo não contando a história do passarinho preto da varanda com vista para as ruas anoitecidas de outra cidade bem mais próxima de nós terá, certamente, um lugar bem destacado na memória deste novo ano.

Dark Bird Is Home

01. Fields of Our Home
02. Darkness of the Dream
03. Singers
04. Slow Dance
05. Little Nowhere Towns
06. Sagres
07. Timothy
08. Beginners
09. Seventeen
10. Dark Bird Is Home

rosana rocha sig