The Twilight Sad - Nobody Wants To Be Here & Nobody Wants To Leave
90%Overall Score

Nem tudo no mundo e nos dias em que vivemos é pintado a cores vivas. A dicotomia dia e noite levada à letra e entendida no campo musical (ou dos sentimentos, o que vai dar ao mesmo) seria extremamente redutora se deixasse de lado aquela hora mágica do pôr-do-sol. Hora de calma e poesia, em que tudo perde a acutilância sem que ao mesmo tempo perca significado. É assim este disco dos The Twilight Sad. O quarto longa duração dos escoceses, editado sob o selo da Fat Cat Records, escutado seja a que hora for patrocina-nos um momento de conforto.

A banda de James Graham, Andy MacFarlane e Mark Devine parece definitivamente ter conseguido encontrar maneira de mostrar o som que os define, juntando num único registo tudo o que de bom fez no passado: há um equilíbrio entre temas onde reinam a distorção da guitarra, a simplicidade de uma melodia limpa acompanhada ao piano, sons sintetizados que vão adocicando palavras que se estivessem despidas de música seriam amarguíssimas. Tudo faz sentido aqui, reconhecem-se momentos dos discos anteriores, mas deram o salto e passaram ao nível superior.

Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave resume no título o sentimento presente ao longo das 10 faixas do disco. Palavras e sons revestidos de humanidade longe de quimeras sonhadoras ou de excentricidades. Cenas do quotidiano, pensamentos que qualquer um de nós já experimentou ao longo dos dias, ou situações que identificamos quase como se estivéssemos a ver o filme, como no caso do primeiro tema “There’s A Girl In The Corner”; Last January e a imagem urgente e apelativa “your eyes touching my eyes”. O quase pop de “I Could Give You All That You Don’t Want”, não fosse o lado dramático que remata com um “don’t you dare to say no”. A inevitabilidade de “It Never Was The Same”; a ironia em “Drown So I Can Watch”; o sentimento de estar perdido “In Nowheres” com as perguntas à vida e respostas em coro repetido “I don’t know, I don’t know, I don’t know”; o tema que dá o nome ao disco a ser a pérola escondida nesta concha rugosa, e que pérola! “Pills I Swallow” e o sentimento “will you let me vanish now?”; a balada triste “Leave The House” com final apoteótico, acompanhado de guitarra grávida de efeitos e sintetizador “what do you care for?” e o remate perfeito com “Sometimes I Wished I Could Fall Asleep”.

Catártico, reconfortante, humano, belo, podia continuar a lista de adjectivos que qualificam este disco, mas o que fica mesmo é a vontade urgente de os ouvir e ver em cima de um palco o mais breve possível.

Os The Twilight Sad não são uma banda de canções pop e, de acordo com as palavras de Graham, esse é o motivo pelo qual eles nunca serão uma banda da cena mainstream. Ainda bem! De álbum para álbum continuam a evoluir e têm lugar bem seguro na zona musical onde estão. Nós gostamos deles assim. Sotaque escocês incluído!