Vai o tempo passando e luz atrás de luz vão-se iluminando todos os nomes que vão desfilar pelos relvados luxuriantes de Paredes de Coura. E assim, como não quer a coisa, ainda no verde da Luz se via um dos melhores jogos deste ano, e já no verde minhoto brilhavam as quatro novas confirmações para a edição dos 25 anos do Vodafone Paredes de Coura. Que se de um cabaret antigo se tratasse, o recinto do festival acendia as lâmpadas para dar a conhecer os novos pontos cardeais que marcam a rota até ao Tabuão.

No Canadá, mais precisamente da zona rica em florestas e lenhadores de Ontário, chegam os Timber Timbre para fazer ressoar a sua palete estranha de tons e sons num cenário ideal… o arvoredo de Coura. Desde as origens folk negras e sombrias que pautaram a discografia primordial da banda de Taylor Kirk, Simon Trottier, Mathieu Charbonneau e Olivier Fairfield, que assumem no disco homónimo de 2009 um ponto de maturação perfeita, até as mais recentes ambiências rock e charmosas dignas de figurar em qualquer banda sonora da filmografia bizarra de David Lynch, os Timber Timbre tem vindo a desenvolver uma identidade exemplar e única que vai ganhar este ano mais um capítulo. Sincerely, Future Pollution sai esta sexta-feira pela Arts & Crafts e reflecte sobre o caos, o idealismo utópico e distópico e as conturbadas ondas políticas em que o globo se vê hoje embalado.

Do outro lado do mundo, mais precisamente de Seoul, os Jambinai regressam ao nosso país depois de um concerto assombroso no Teatro da Trindade em Agosto do ano passado. Inserida no Ciclo Mundos, a banda sul coreana trouxe a Lisboa a tour de apresentação de A Hermitage, disco superior onde o post-rock, a tradição dos instrumentos da terra natal dos Jambinai, o peso do doom e do metal e a experimentação noise e free se encontram para descarregar toneladas de sombras e de luz sobre o mundo. De muito díficil categorização ou de definições redutoras, os Jambinai são acima de tudo um fenómeno sem possibilidades de replicação. Garantido fica desde já que coreanos vão ser detentores de um dos concertos de festival… sim, assim de olhos fechados e a quatro meses de distância.

Os gémeos britânicos Will and Matt Ritson fazem a formatura que se completa nos Formation com mais 3 elementos: Jonny, Sasha e Kai. Feito o check-in com 2 EPs e um álbum de estreia – de seu nome Look At The Powerful People lançado já este ano -, a banda agrega um punk funk dançável muito na linha do legado deixado por James Murphy nos LCD Soundsystem. Cowbells, sintetizadores, drum kits em abundância, alidaos a uma certa quirkiness nas vocalizações, dão corpo sonoro e servem de base a letras que reflectem a questões contemporâneas, inquietações de espírito naquele que acaba por ser um pouco reflexo do mundo actual num invólucro de esperança. Os Formation já tiveram honras de banda de abertura para os Foals, Saquem dos melhores movimentos de dança e claro, dos sapatinhos a condizer.

Depois do Canadá dos Timber Timber, da Coreia do Sul dos Jambinai e da Grã-Bretanha dos Formation, os vimaranenses de berço Toulouse asseguram a representação portuguesa no rol de últimas confirmações do Vodafone Paredes de Coura. Com embalos suaves e amenos nas gradações sonoras e canções inocentemente pop com laivos de indie e psych, o quarteto editou Juice – a sua estreia discográfica em cassete, corria o ano de 2015 – o ensaio para o que viria a ser o seu primeiro longa-duração intitulado Yuhng, lançado em finais do ano passado. Sonhadores e etéreos, melodiosos nas harmonias e com uma especial sensibilidade para composições delicadas e lânguidas sem nunca deixar de provocar faíscas de doces arrepios pela espinha os Toulouse têm a missão apaziguadora de fazer balancear e vaguear as sonoridades mais contemplativas pela atmosfera de Coura.

De 16 a 19 de Agosto, as novas confirmações juntam-se a Foals, At the Drive-In, Nick Murphy (Chet Faker), Beach House, Future Islands, King Krule, Benjamin Clementine, BadBadNotGood, Foxygen, !!! (Chk Chk Chk), Ty Segall, Car Seat Headrest, Beak>, Ho99o9, Sunflower Bean, Manel Cruz, Moon Duo, Young Fathers, Andy Shauf, Mão Morta e You Can’t Win Charlie Brown. Os passes gerais encontram-se à venda nos locais habituais com o custo de €90.