O Alaska é daqueles sítios que povoam imaginários e onde se inventam histórias de melancolias ou loucuras, de brancos silêncios e de cinemáticos conflitos internos. O Alaska é também uma fonte de inspiração artística e aventureira, é um espaço geográfico repleto ainda de alguns mistérios e tribos nórdicas carregadas de misticismo. O Alaska é tudo isto, à semelhança de outros países nórdicos europeiamente plantados, mas de ligações antigas e perdidas no tempo e na memória ao bloco de terra e gelo que habita a parte norte do continente americano. O “Alaska” é, neste caso, o mais recente vídeo e single para a norueguesa doce e de canções doces, Tina Refsnes.

Tina é de Floro, uma pequena cidade junto ao mar onde a chuva e o sal são senhores, e, como tantos e tão maravilhosos outros nórdicos, sabe traduzir o folk britânico e a americana como se seus fossem por tradição e raiz. E quem sabe o serão na sua origem perdida na separação dos continentes. Este “Alaska” de Tina é retirado do seu disco de estreia lançado em 2015 e que só agora descobrimos, No One Knows That You’re Lost – e que deixamos em baixo em stream para descoberta e deslumbre. E ambos, o disco e “Alaska”, caminham nos mesmos passos que algumas das referencias apontadas por Tina como néctares de inspiração. Sente-se Sufjan Stevens, Laura Marling e sente-se a história da folk contada por Neil Young e Joni Mitchel. E sente-se acima de tudo uma maturidade e uma mestria de artesã tradicional de canções que vale a pena descobrir e manter junto a nós em noites de frio e fogueiras quentes, manter junto a nós daqui em diante sem olhar em volta e sem vontade de a partilhar com mais ninguém.

Onde andaste escondida, Tina!? Canta para mim aqui o resto do dia num quarto à meia-luz.